
Regressei esta manhã às minhas caminhadas, junto à baía mais bela dos Açores, que é, como devem calcular, a da nobre Praia da Vitória.
Cada passada que dou, recebo uma gota do perfume da maresia, que docemente vai repousando nas montões de pedras ali colocadas para o seu descanso.
Cada vez que olho o mar e fixo o horizonte, mesmo sem saber o que está defronte… Agradeço a Deus a minha sorte, de ter nascido e vivido nesta concha cercada pelo Oceano.
Cada movimento das ondas, ou som das suas batidas, são momentos de inspiração para o meu cérebro já cansado, que parece rejuvenescer ao longo de todo o percurso.

Enquanto que, até certa altura, meu cérebro repousava, embebido com tamanho encanto e beleza da natureza, desperta de repente para a ingratidão da mão humana, que inocentemente ou talvez não… a vai destruindo do seu melhor! Maltratando o areal sem dó nem piedade. Pisando-o, cilindrando-o, transformando-o em simples pó! Fazendo-o receptor daquilo que as ribeiras não suportam, teimando em alterar o percurso das ondas, para que do alto de um pedestal em madeira construído, lhes diga que quem manda aqui sou eu… Só que a natureza por vezes é ainda mais teimosa e, a certa altura se vinga de todo o mal que lhe causaram…
Apesar de alguns males que me desgostam, vou continuar caminhando junto ao meu mar, mais que não seja para lhe dizer: Estou aqui, para gritar bem alto, sempre que algum mal te fizerem!
Fernando Mendonça
