
O Grupo Parlamentar do Chega/Açores entregou um requerimento na Assembleia Legislativa Regional a exigir o apuramento de responsabilidades pela não expedição de cerca de meia tonelada de pescado fresco da ilha Terceira para os Estados Unidos da América. Segundo o partido, estão em causa prejuízos para o sector das pescas e para a economia regional, numa situação marcada por versões contraditórias entre o exportador e a SATA Carga.
O Grupo Parlamentar do Chega/Açores apresentou esta quarta-feira um requerimento na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para exigir esclarecimentos sobre a falha no embarque de cerca de meia tonelada de pescado fresco que deveria ter sido exportada da ilha Terceira para os Estados Unidos da América. A informação consta de uma nota de imprensa divulgada pelo partido.
Segundo o Chega, a situação é considerada “inaceitável”, sobretudo por envolver um produto altamente perecível e de elevado valor comercial. O partido refere que existem versões contraditórias sobre o sucedido: por um lado, o exportador garante ter cumprido todos os prazos exigidos para o transporte da mercadoria; por outro, alegadas questões burocráticas e administrativas foram apontadas pela SATA Carga como justificação para a falha no embarque.
No requerimento agora entregue, os deputados do Chega pedem o apuramento de responsabilidades relativamente ao sucedido, considerando que a retenção da mercadoria representa prejuízos diretos para o sector das pescas e para a economia açoriana.
Os parlamentares solicitam esclarecimentos detalhados sobre toda a ocorrência, incluindo a cronologia dos acontecimentos, as entidades envolvidas, os prejuízos provocados, as responsabilidades eventualmente apuradas e as medidas que poderão ser implementadas para evitar situações semelhantes no futuro.
Além disso, o partido pretende conhecer o número de casos idênticos registados nos últimos anos, quantas toneladas de pescado foram afetadas por falhas logísticas e se a atual capacidade de carga disponível é suficiente para responder às necessidades do sector das pescas nos Açores.
Na nota de imprensa, a deputada Hélia Cardoso defende que os empresários não podem ficar dependentes “da burocracia, da desorganização ou da incapacidade operacional de entidades públicas ou privadas” quando estão em causa contratos internacionais e mercados exportadores conquistados ao longo dos anos.
A parlamentar alerta ainda para os impactos que uma falha desta natureza pode ter na confiança dos compradores internacionais. “Havendo uma falha logo no primeiro envio de uma mercadoria que é tão valorizada, qual é a probabilidade do comprador voltar a fazer uma encomenda? Há uma quebra de confiança, que depois é difícil de voltar a conquistar. A nossa economia é tão pequena que quando existe uma falha destas, impacta diretamente nas nossas empresas”, afirmou.
Hélia Cardoso questiona também as normas internas que obrigam à entrega da carga cinco horas antes da partida dos voos, considerando que esse procedimento poderá ser excessivo para a realidade do Aeroporto das Lajes. “São exigências que podem fazer sentido num aeroporto de grande dimensão, com distância e logística muito maiores, mas no aeroporto da Terceira parece-me notoriamente exagerado”, concluiu.
Com este requerimento, o CHEGA Açores pretende obter esclarecimentos sobre as circunstâncias que impediram a exportação do pescado e avaliar a eficácia dos atuais procedimentos logísticos associados ao transporte aéreo de mercadorias, considerado pelo partido como essencial para a colocação dos produtos açorianos nos mercados externos.
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