AÇORES APOSTAM NO MERCADO DE CARBONO

Alonso Miguel presidiu, na quarta-feira, à abertura da sessão de apresentação do Mercado Voluntário de Carbono – Rumo à neutralidade climática, realizada no Auditório do Laboratório Regional de Engenharia Civil, em Ponta Delgada.

A iniciativa, promovida pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática em articulação com a Agência para o Clima (ApC) e com a Agência para a Energia (ADENE), reuniu mais de uma centena de participantes e teve como objetivo apresentar o funcionamento, evolução e oportunidades do Mercado Voluntário de Carbono para os Açores.

Segundo a nota de imprensa, o governante destacou o compromisso do Governo Regional com a transição climática e o desenvolvimento sustentável, através da implementação de políticas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.

“O Governo Regional dos Açores, de modo transversal, assumiu um compromisso claro para com a transição climática e o desenvolvimento sustentável”, afirmou Alonso Miguel.

O titular da pasta do Ambiente alertou para os impactos crescentes das alterações climáticas no arquipélago, apontando fenómenos meteorológicos extremos, cheias, inundações, movimentos de vertente e galgamentos costeiros como algumas das principais ameaças à segurança das populações.

Citado na nota, Alonso Miguel recordou ainda a passagem do furacão Lorenzo pelos Açores, salientando que o fenómeno provocou prejuízos superiores a 330 milhões de euros.

“Apesar de sermos muito mais vítimas dos efeitos das alterações climáticas do que contribuintes para os fenómenos que lhes estão na origem, é fundamental que a Região possa contribuir responsavelmente para a mitigação dos impactes”, declarou.

O governante referiu que a Região tem em execução vários instrumentos de política pública nesta área, entre os quais o Programa Regional para as Alterações Climáticas, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica dos Açores e projetos como o Planclimac e o Reinforce.

Alonso Miguel destacou igualmente investimentos em cartografia de risco, sistemas de alerta para cheias, planos de gestão de secas e projetos de recuperação e monitorização das turfeiras açorianas, consideradas ecossistemas fundamentais enquanto sumidouros de carbono.

Na área energética, o Secretário Regional sublinhou que os investimentos do Governo Regional e da EDA na produção de energias renováveis ultrapassaram os 200 milhões de euros nos últimos cinco anos.

Segundo Alonso Miguel, o Mercado Voluntário de Carbono poderá funcionar como “um instrumento complementar e inovador”, criando incentivos económicos para projetos de redução de emissões e sequestro de carbono.

O governante considerou ainda que este mecanismo poderá incentivar a reconversão de áreas de pastagem de baixa aptidão em zonas florestais, contribuindo simultaneamente para o aumento dos sumidouros de carbono e para o cumprimento da nova legislação europeia sobre restauro da natureza.

“Para regiões insulares, a transição climática não representa apenas uma necessidade, mas também uma oportunidade para inovar, valorizar o território e construir um modelo de desenvolvimento mais sustentável e resiliente”, concluiu.

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