
A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória defendeu, em Lisboa, que a cultura, a memória e as tradições são pilares fundamentais da construção autonómica açoriana. A posição foi assumida por Vânia Ferreira na abertura do primeiro Festival Açores, iniciativa promovida pela Junta de Freguesia de Avenidas Novas para assinalar os 50 anos das autonomias regionais.
A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, afirmou que “a cultura assume um papel absolutamente central” na afirmação da Autonomia dos Açores, durante a abertura do primeiro Festival Açores, realizado entre os dias 22 e 24 de maio, em Lisboa.
Segundo uma nota de imprensa divulgada esta terça-feira pelo Gabinete de Comunicação da autarquia praiense, a edil intervinha na sessão de abertura do evento promovido pela Junta de Freguesia de Avenidas Novas – Lisboa, que assinalou os 50 anos das autonomias regionais.
No âmbito da participação da Câmara Municipal da Praia da Vitória, esteve patente no Salão Nobre da Junta de Freguesia a exposição “Espírito Santo, Se Bem Me Lembro…”, dedicada às Festas do Espírito Santo e à figura de Vitorino Nemésio.
Na sua intervenção, Vânia Ferreira destacou o percurso autonómico da Região ao longo das últimas cinco décadas, sublinhando, contudo, os desafios que persistem para o futuro dos Açores.
“Ao longo destas cinco décadas, os Açores afirmaram-se enquanto região atlântica, capaz de transformar os constrangimentos da sua ultraperiferia em oportunidades estratégicas”, afirmou, acrescentando que continuam a existir desafios relacionados com a demografia, a mobilidade entre ilhas, a valorização da economia do mar, a fixação de jovens qualificados, a sustentabilidade ambiental e a competitividade turística.
A autarca defendeu que a resposta a esses desafios exige “visão, estabilidade e capacidade de continuar a honrar o espírito autonómico”, considerando que a cultura é essencial nesse processo.
“Porque a Autonomia não se constrói apenas através das instituições; constrói-se também através da preservação da memória, da valorização das tradições e da afirmação daquilo que nos distingue enquanto povo”, afirmou.
Vânia Ferreira destacou ainda a relevância das Festas do Espírito Santo enquanto uma das expressões mais marcantes da identidade açoriana, bem como a riqueza cultural da ilha Terceira e da Praia da Vitória.
Falamos igualmente da riqueza cultural da Ilha Terceira e da Praia da Vitória, onde tradição e modernidade convivem de forma singular, preservando manifestações populares, património histórico, música, religiosidade, etnografia e modos de vida que continuam a distinguir os Açores no contexto nacional e internacional”, declarou.
A presidente da autarquia sublinhou também o papel da gastronomia açoriana enquanto “património vivo” e destacou a importância de Vitorino Nemésio na construção da identidade do “ser ilhéu”.
“Porque os Açores continuam a viver entre a distância e a proximidade; entre os desafios da insularidade e a enorme capacidade de ligação ao mundo através das suas comunidades, da sua diáspora e da sua afirmação cultural”, afirmou.
Na conclusão da sua intervenção, Vânia Ferreira salientou que a identidade açoriana ultrapassa as fronteiras do arquipélago.
“Celebrar os Açores é reconhecer que a nossa identidade ultrapassa fronteiras geográficas. Os Açores vivem nas ilhas, mas vivem também em Lisboa, na diáspora e em todos aqueles que preservam a cultura, a memória e os valores que definem o nosso povo”, concluiu.
De acordo com a mesma nota, a participação da Praia da Vitória no Festival Açores deu especial destaque ao Espírito Santo, à vida e obra de Vitorino Nemésio e às tradicionais queijadas Conde da Praia.
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