
O Grupo Parlamentar do PS/Açores viu aprovada ontem a proposta para criação Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores (FDRAA), novo instrumento estratégico de apoio às rotas aéreas da Região, com o objetivo de reforçar a conectividade aérea dos Açores, captar novas companhias e mitigar os impactos económicos associados à perda de operadores e ligações aéreas.
Segundo uma nota de imprensa do Grupo Parlamentar do PS/Açores, a iniciativa foi debatida no âmbito de um Projeto de Decreto Legislativo Regional apresentado pelos socialistas na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Durante a discussão da proposta, o Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Carlos Silva, sublinhou a importância estratégica das ligações aéreas para a economia regional, defendendo que os Açores “dependem da ligação ao exterior, da mobilidade das pessoas e da capacidade de atrair visitantes e investimento”.
Citado na nota, o deputado socialista considerou que a conectividade aérea representa atualmente “um fator essencial de competitividade e desenvolvimento económico”.
Carlos Silva alertou ainda para os impactos provocados pela saída da companhia aérea Ryanair da Região, referindo que a ilha de São Miguel registou uma quebra de 15,5% nos passageiros desembarcados. Segundo os dados apresentados pelo parlamentar, os voos territoriais caíram 18% e os internacionais quase 20%.
Para o deputado, estes números demonstram “a vulnerabilidade da economia açoriana às alterações do mercado da aviação”.
A nota refere também que estimativas da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada apontam para um impacto económico anual entre 140 e 160 milhões de euros na economia regional, associado à perda de cerca de 400 mil dormidas por ano.
Face a este cenário, o PS/Açores propôs a criação de um programa destinado a apoiar novas rotas diretas, abrir novos mercados emissores, reforçar operações ao longo de todo o ano e reduzir a dependência de um número limitado de operadores aéreos.
“Este não é apenas um mecanismo de incentivo financeiro. É uma verdadeira ferramenta de política pública para promover desenvolvimento económico, diversificação turística e maior estabilidade para o setor”, afirmou Carlos Silva.
De acordo com o parlamentar socialista, a proposta foi construída com contributos de parceiros ligados aos setores do turismo e empresarial, integrando mecanismos de incentivos mistos, valorização da capacidade instalada, maior flexibilidade operacional e processos de decisão mais céleres.
Carlos Silva considerou ainda que o modelo defendido pelo PS/Açores é “mais sólido, mais estratégico e mais eficaz” do que o Sistema de Incentivos a Rotas Estratégicas (SIRE), apresentado pelo PSD, por criar “um verdadeiro instrumento estruturante de política pública” articulado com o turismo e o desenvolvimento económico regional.
“O FDRAA é um investimento no futuro dos Açores. Um investimento na mobilidade, no turismo, na economia regional e na capacidade da Região responder aos desafios do presente e do futuro”, concluiu o deputado, segundo a nota de imprensa.
DEBATE PARLAMENTAR
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