BOLIEIRO DEFENDE AÇORES COMO PLATAFORMA ATLÂNTICA

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu uma estratégia de futuro para a Região assente na valorização da posição geoestratégica dos Açores no Atlântico, na diversificação económica e no investimento nas novas economias. A posição foi apresentada durante a abertura da “Conferência das Regiões – Ponta Delgada”, realizada no Hotel Vila Galé Collection, em Ponta Delgada.

Segundo uma nota de imprensa divulgada na terça-feira, 12 de maio, pela Presidência do Governo Regional, a iniciativa promovida pelo Diário de Notícias e pelo Açoriano Oriental reuniu responsáveis políticos, especialistas e representantes de vários setores para debater temas ligados à competitividade, sustentabilidade, segurança atlântica e fundos europeus.

Na sessão de abertura, José Manuel Bolieiro considerou que os atuais desafios internacionais, marcados pela instabilidade geopolítica, pelas mudanças tecnológicas e pela transição climática e energética, exigem uma governação com visão estratégica e capacidade de planeamento a médio e longo prazo.

“O futuro da prosperidade dos Açores assentará na sua diversificação económica, na sua sustentabilidade e na valorização do nosso posicionamento estratégico no Atlântico”, afirmou o líder do executivo açoriano, citado na nota de imprensa.

O governante sustentou que os Açores estão a afirmar-se como “uma plataforma atlântica de oportunidades”, defendendo uma Região com “centralidade crescente” em áreas como segurança e defesa, conectividade digital, investigação científica, energia, economia azul, economia verde e economia espacial.

“O Atlântico voltou ao centro das prioridades internacionais”, declarou José Manuel Bolieiro, acrescentando que, apesar da ultraperiferia no contexto europeu continental, os Açores assumem uma posição central no Atlântico Norte e nas relações transatlânticas.

Para o Presidente do Governo Regional, esta realidade representa simultaneamente “responsabilidade e oportunidade” para os Açores, para Portugal, para a União Europeia e para a NATO.

Na intervenção, o chefe do executivo destacou igualmente a importância do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) como instrumento de transformação estrutural da Região, lembrando que o programa representa uma dotação global de 725 milhões de euros.

De acordo com os dados apresentados, até ao final de 2025 tinham sido aprovadas 9.455 candidaturas, lançados 49 avisos de concurso e executadas ou concluídas 60 empreitadas, num investimento superior a 266 milhões de euros.

José Manuel Bolieiro salientou ainda a aquisição de mais de 57 mil equipamentos e 144 viaturas, das quais 123 elétricas, defendendo que o PRR está a produzir impactos concretos no quotidiano da população açoriana.

“Mais importante do que os números é aquilo que estes investimentos representam na vida concreta das pessoas”, afirmou.

Entre os exemplos apontados, destacou os investimentos na habitação, a gratuitidade das creches para mais de 14.500 crianças, a modernização do Serviço Regional de Saúde, a entrega de mais de 37 mil equipamentos digitais às escolas açorianas e os avanços na transição energética através dos programas SOLENERGE e PROENERGIA, bem como da expansão da capacidade geotérmica da Região.

O Presidente do Governo referiu também os indicadores económicos e sociais registados nos últimos anos, indicando que o Produto Interno Bruto regional cresceu cerca de 36,6% entre 2019 e 2025, ao mesmo tempo que aumentou o número de empregados e a taxa de desemprego desceu para níveis inferiores à média nacional.

No setor do turismo, destacou a consolidação da atividade como um dos motores da economia regional, representando atualmente cerca de 17% do PIB dos Açores, 16% do emprego e 20% do Valor Acrescentado Bruto.

A conferência integrou ainda vários painéis dedicados ao potencial transformador do PRR e Açores 2030, à importância estratégica dos Açores para a segurança no Atlântico Norte e aos desafios da competitividade, diversificação e sustentabilidade da Região.

Na conclusão da intervenção, José Manuel Bolieiro deixou uma mensagem de confiança relativamente ao futuro dos Açores.

“Os Açores não podem olhar o futuro com medo. Devem olhá-lo com ambição estratégica, com confiança e com sentido coletivo. Porque temos valor”, concluiu.

© GRA | Foto: MM | PE