
O Presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, destacou quarta-feira, em Ponta Delgada, o “papel geoestratégico singular” dos Açores na segurança e defesa do Atlântico, sublinhando que a região deve ser vista como “plataforma de modernidade e capacitação” para Portugal, União Europeia e NATO. As declarações constam do discurso divulgado ontem pela Presidência do Governo dos Açores.
O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, afirmou que a Região “não é apenas um lugar”, mas um território com “responsabilidade e oportunidade” na arquitetura de segurança do Atlântico, defendendo o reforço de infraestruturas estratégicas e a articulação entre os níveis nacional, europeu e transatlântico. As declarações constam do discurso oficial divulgado esta quinta-feira pela Presidência do Governo dos Açores, proferido na sessão solene de abertura do 9.º Curso Intensivo de Segurança e Defesa (CISEDE), realizada quarta-feira em Ponta Delgada.
Segundo Bolieiro, o contacto dos participantes do curso com a realidade autonómica permite compreender “o potencial desta realidade política, jurídica, geográfica e estratégica”. O líder do executivo açoriano assegurou que, mesmo em matérias da competência dos órgãos de soberania, “os órgãos regionais devem também ser considerados”, garantindo disponibilidade permanente para “propor, cooperar e habilitar o País inteiro com mais recursos e meios”.
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O Presidente do Governo sublinhou que o Atlântico volta a assumir-se como “eixo estratégico decisivo para o equilíbrio global”, num contexto de “mudanças profundas na geopolítica, na natureza das ameaças e no modo como as democracias se organizam para proteger os seus valores”. Nesta conjuntura, defendeu, os Açores apresentam-se como “ponte física e simbólica entre a Europa e a América”.
Bolieiro destacou ainda o papel do Atlântico Norte como corredor vital de rotas marítimas e aéreas, abastecimento energético, cabos submarinos e fluxos migratórios, alertando para a crescente competição entre grandes potências no controlo destes espaços e infraestruturas críticas. “Quando se discute segurança energética, segurança alimentar, proteção de dados ou mudanças climáticas, discute-se também o Atlântico”, afirmou.
Referindo-se à Base das Lajes, considerou-a “mais do que uma infraestrutura militar”, identificando-a como “nó de ligações aéreas, centro potencial de operações de busca e salvamento, ponto de apoio a patrulhamento marítimo e ativo central em cenários de crise no Atlântico”. A sua modernização e melhor aproveitamento são, disse, “uma questão de segurança, mas também de desenvolvimento regional”.
No campo dos investimentos estratégicos, Bolieiro apontou prioridades como a modernização dos portos, o reforço da vigilância marítima com meios aéreos e navais, a expansão de comunicações seguras, o desenvolvimento de centros de dados e a instalação de um Centro Tecnológico Espacial em Santa Maria. “Cada euro investido nos Açores é, em simultâneo, um investimento em segurança europeia, competitividade e coesão territorial”, salientou.
O líder do Governo Regional defendeu também que a União Europeia e os Estados-membros da NATO devem “investir mais e melhor” em capacidades de defesa e valorizar as Regiões Ultraperiféricas como “fronteiras avançadas” da segurança europeia. Os Açores, afirmou, “são o lugar onde se torna visível que a segurança da Europa começa muito para lá do seu continente”.
Bolieiro concluiu reiterando que a região deve ser “um caso exemplar” de coerência entre discurso e ação, onde “a geografia se transforma em estratégia” e a segurança se traduz em desenvolvimento para as populações. Citando Vitorino Nemésio, lembrou que “a geografia, para nós, vale outro tanto como a história”, acrescentando que, para o futuro, valerá também “a nossa ambição, cooperação e compromisso estratégico”.
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