AUMENTO DA MORTALIDADE NOS AÇORES INTEGRA UMA TENDÊNCIA NACIONAL, DIZ SECRETARIA DA SAÚDE

Face às recentes notícias divulgadas na comunicação social escrita, nomeadamente, no jornal angrense “Diário Insular”, que dão conta de um aumento da mortalidade nos primeiros sete meses deste ano, comparativamente a 2019, a Secretaria Regional da Saúde e Desporto fez publicar esta segunda-feira, no portal do Governo Regional dos Açores, na internet, uma nota de imprensa, onde sublinha que este aumento “integra uma tendência nacional”, e que só no final do ano os dados relativos aos óbitos serão “mais esclarecedores”, porque nesta matéria a estatística oficial é apresentada “anualmente”.

Por outro lado, na mesma nota da Secretaria titulada por Célio Meneses, é elencado um conjunto de dados estatísticos, que na ótica da tutela, evidenciam um “aumento de cuidados de saúde prestados aos açorianos”, face à situação herdada.

Abaixo e na integra, a Nota de Imprensa da Secretaria Regional da Saúde e Desporto:

“A propósito de notícias recentes sobre a taxa de mortalidade no primeiro semestre do ano, a Secretaria Regional da Saúde e Desporto esclarece:

Os dados estatísticos relativos a mortalidade, em 2021 e 2022, estão a ser recolhidos e tratados, juntamente com muitos outros elementos, para fins de avaliação de prevalências e tendências, no decurso do trabalho que está a ser desenvolvido para o Plano Regional de Saúde e para o debate aberto que está a ser promovido no âmbito do Fórum Saúde 2030.

Estamos a falar de informações e conclusões que exigem avaliações técnicas e científicas, que serão disponibilizadas publicamente.

O aumento da mortalidade nos Açores integra uma tendência nacional que tem de ser avaliada, de modo a perceber os fatores que a determinam.

Os dados a obter no final de ano serão, certamente, mais esclarecedores, até porque a estatística oficial, nesta matéria, é anunciada anualmente. E a estatística publicada até 2020, revela que, em anos anteriores a mortalidade é, tendencialmente, mais elevada no primeiro semestre do ano.

Na região, temos uma tendência de envelhecimento da população superior à média nacional. Entre 2011 e 2021 a população jovem, nos Açores, diminuiu 16,85%, enquanto a população idosa aumentou 14,15%. A taxa de natalidade diminuiu 8,7% e a taxa de mortalidade aumentou 10,1%. Em 2020, enquanto a taxa de mortalidade infantil, a nível nacional, foi de 2,4%, nos Açores foi de 4,8%. Ao contrário da tendência nacional de aumento da natalidade, entre 2014 e 2019, de 82.367 para 86.579, conforme ocorreu, também, na Região Autónoma da Madeira, com aumento de 1.739 para 1.891, nos Açores a natalidade diminuiu de 2.316 para 2.131. A esperança média de vida, em 2019, na região, era de 77,87, enquanto na Madeira era de 78,36 e a média nacional era de 80,93.

Ainda com dados de 2019, o consumo de tabaco a nível nacional representava 16,8%, nos Açores era de 23,4%, a obesidade infantil era de 12,0% no país e de 18% na região, o excesso de peso infantil nos Açores correspondia a 35,9%, quando a média de Portugal era de 29,6%.

Outras informações sinalizam preocupação, como a circunstância da população adulta nos Açores com excesso de peso ter aumentado 2%, em apenas cinco anos, de 2014 para 2019, ou a constatação do aumento de 16,3% para 25,6% da população com hipertensão arterial de 2006 para 2019.

A orientação para o reforço dos cuidados primários de proximidade, apostando na prevenção, é decisiva para melhores resultados em saúde, o que só se alcança a médio e longo prazo. No fundo, hoje estamos a pagar o desinvestimento feito na área da Saúde nas últimas décadas nos Açores.

O atual Governo Regional tem feito um esforço para a contratação de profissionais de saúde e para o aumento dos cuidados assistenciais que permitam garantir melhores condições de saúde para os açorianos.

Com o esforço de contratação de médicos que este Governo tem levado a cabo, havendo agora mais médicos no Serviço Regional de Saúde do que em 30 de novembro de 2020, quando tomou posse, há hoje mais de 5.500 açorianos que passaram a ter médico de família e não tinham, o que se acentuará com os procedimentos de contratação em curso.

O que é factual e representa um reforço dos cuidados de saúde prestados aos açorianos é o aumento de consultas, exames e cirurgias.

Na verdade, em 2021, foram feitas, nos Açores, mais 56.000 consultas do que em 2020, mais 65.172 do que em 2019 e mais 72.846 do que em 2018, sem que nestes últimos dois anos houvesse qualquer constrangimento na prestação de cuidados.

No mesmo sentido, em 2021, foram realizados mais 1.112.296 exames do que em 2020, mais 608.917 do que em 2019 e mais 1.143.061 do que em 2018.

Seguindo a mesma tendência de aumento de produção e consequentes cuidados de saúde, o número de cirurgias em 2021 foi superior ao de 2020 em 3.752, ao de 2019 em 1.193 e ao de 2018 em 1.932.

Por tudo isto, há menos cerca de 2.000 açorianos em lista de espera do que há dois anos.

Estes resultados correspondem a pessoas que viram os seus problemas atendidos e representam um evidente aumento de cuidados de saúde prestados aos açorianos, apesar de haver, ainda, muito caminho a percorrer para alcançarmos os níveis por que todos ansiamos.

A avaliação do número e causas de óbitos não é, assim, matéria que possa merecer uma avaliação imediata e superficial, mas matéria sensível e complexa que exige o tratamento e a avaliação que está a ser desenvolvida conforme referido.”

Na notícia que motivou a presente nota de imprensa, o jornal “Diário Insular” noticia que nos primeiros sete meses de 2022, há um “crescimento de cerca de 25 por cento na mortalidade”, nos Açores, “face ao período homólogo de 2019”.

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