BOLIEIRO: FIM DE APOIO DO CHEGA A GOVERNO DOS AÇORES É ASSUNTO “LATERAL” NESTE MOMENTO

O presidente do Governo Regional dos Açores afirmou este sábado que a ameaça do Chega de chumbar o orçamento regional é um assunto “lateral” neste momento, assegurando que está “pronto, responsavelmente, para a estabilidade”.

“Mais nada a dizer neste tempo, porque o resto é absolutamente lateral”, afirmou José Manuel Bolieiro, quando questionado sobre a ameaça de chumbo do orçamento.

O chefe do executivo açoriano falava, em declarações aos jornalistas, após reunir, na ilha de São Jorge, com autarcas, deputados regionais e representantes empresariais no âmbito da crise sismovulcânica.

José Manuel Bolieiro sustentou: “Eu creio que os açorianos em geral, e muito particular os jorgenses, onde estamos, estão verdadeiramente mais preocupados com a estabilidade, a solidariedade, o compromisso”.

“Eu estou pronto, responsavelmente, para a estabilidade, para o compromisso e para a solidariedade com o futuro dos Açores e, em particular, com as populações de São Jorge, neste contexto” de crise sismovulcânica, rematou.

O deputado único do Chega nos Açores, José Pacheco, disse na quarta-feira que “acabou” o apoio do partido ao Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, e avançou que pretende reprovar o próximo Orçamento da região, que vai ser discutido no final do ano.

Em declarações à agência Lusa, o deputado que tem com o Governo um acordo de incidência parlamentar, reforçou que “continua sem ter eco das propostas” apresentadas para viabilizar o Orçamento Regional de 2022, como as viaturas para a corporação de bombeiros e os incentivos à natalidade, notando estar por fazer a remodelação no executivo liderado por José Manuel Bolieiro, como o Chega tinha exigido.

“Não tenho problema nenhum, enquanto representante do Chega nos Açores, de assumir essa despesa e esse risco, mas fica o Governo Regional a saber que, com o Chega, acabou”, afirmou José Pacheco.

O deputado sustentou que não pode “confiar em pessoas que mentem todos os dias”, acusando o executivo regional de “empurrar com a barriga os problemas da região” e de estar envolvido em “trapalhadas” no processo das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência.

“Quando nos sentimos enganados, temos de dizer ao nosso parceiro que fomos enganados e que não podemos confiar neles. Obviamente que, em novembro, temos um Orçamento e está aqui a garantia do deputado do Chega José Pacheco: o orçamento está chumbado”, avançou.

Sem o apoio do Chega, o Governo Regional dos Açores, que também depende do apoio da IL e do deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega), não tem a maioria no parlamento açoriano.

Pacheco destacou que o Governo Regional teve “vários meses para mudar de rumo” e que persistiu a “enganar o povo açoriano”.

Questionado sobre o que significa, neste momento, o fim do apoio do Chega ao Governo Regional dos Açores, o deputado observou que o partido “não tem ferramentas, institucionais ou parlamentares para fazer coisíssima nenhuma”.

“Mas, obviamente, vai continuar a questionar o governo até obter as respostas”, frisou.

O deputado disse não poder confiar em pessoas que “todos os dias” lhe mentem, porque “as pessoas elegeram um deputado do Chega para ser o garante da verdade, o garante da seriedade”.

“Quando o meu bom povo é enganado, estou aqui também para ir para uma briga, seja ela qual for. Haja eleições quando quiserem. Nós estamos aqui para ir à guerra”, afirmou.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Chega/Açores refere que “os compromissos assumidos por este Governo de coligação com o Chega não estão a ser cumpridos” e criticou o processo das Agendas Mobilizadoras do PRR.

“Este Governo Regional não tem demonstrado capacidade para gerir esta região de forma eficiente e em benefício dos açorianos. Prova disso é o grande lodo em que se transformou o processo das Agendas Mobilizadoras”, lia-se ainda no comunicado.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados, sendo, na atual legislatura, 25 do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal (IL), um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega).

A coligação pós-eleitoral (PSD/CDS-PP/PPM), que formou o governo dos Açores, fez acordos de incidência parlamentar com o Chega e o deputado independente, ao passo que o PSD o fez com o deputado único da IL.

Perante o anúncio do deputado do Chega de acabar com o apoio ao Governo, a esquerda parlamentar (PS e BE) desvalorizou as declarações de José Pacheco, não lhe atribuindo grande credibilidade, e afastou qualquer possibilidade de apresentar uma moção de censura ao Governo de direita.

© Lusa | Foto: MM/GRA | PE

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