LIMITES DO BAIRRISMO

Joana Bettencourt

Bairrismo, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa significa a “afeição que alguém tem ao bairro ou à localidade onde mora; carácter de bairrista;” ou a “imitação de interesses, dinâmica ou atividades ao limite de um bairro ou a um âmbito reduzido”.

Debrucemo-nos no bairrismo enquanto uma capacidade de apego a uma terra, enquanto um modo de ser açoriano, no entanto dentro de uma lógica, que concordo em discordar de que ser bairrista é positivo.

 Está o/a leitor/a confuso? Esclarecerei o meu raciocínio para que se torne percetível.

Somos todos portugueses, mas ser Açoriano, tem as suas especificidades e isso é um facto. Vivemos a insularidade, com as nossas tradições, num solo e clima muito próprios, que nos fazem sentir, até por vezes, uma certa altivez. Não quero com isso dizer que a nossa “subcultura” dentro da cultura portuguesa se deixe “desculturar”, ou seja, mesmo sendo portugueses não deixamos de ter as nossas especificidades, contudo, Açorianos não deixam de ser Portugueses.

Transportando estas ideias para um sentido mais estreito, ser Angrense, natural de Angra do Heroísmo, não me deixa sentir menos terceirense. A ilha Terceira tem dois concelhos, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, o que não significa que não me sinta parte integrante de uma mesma ilha.

Vivendo em democracia, aceitar as diferenças é primordial, aliás, não só se mostra essencial aceitá-las, como também é fulcral assentar as nossas posturas nessa democracia.

Como Angrense enalteço todo o traçado urbanístico, com janelas e varandas, que tornaram Angra do Heroísmo, Património Mundial desde 1983, mas não quer com isso dizer que não seja apaixonada pela linha de costa bastante acentuada, onde predominam arribas e zonas de calhau, bem como a baía de extenso areal que se difunde no oceano, da cidade da Praia da Vitória.

Quero também frisar o potencial da cidade da Praia da Vitória, na qual se encontram o Aeroporto das Lajes, o amplo Porto Oceânico, que funcionam como as principais portas de acesso para a ilha Terceira, portanto não poderei e não pode ninguém,  relativizar a importância desta cidade.

E é por isso que aceitei com orgulho e com toda a responsabilidade candidatar-me à Câmara Municipal da Praia da Vitória. Porque acredito em todo o potencial que este concelho apresenta, porque acredito que posso lutar por este potencial, porque acredito que faço parte não de Angra, não da Praia, mas sim da Terceira!

Só posso ver esta ilha, a minha ilha, como um todo! Não há muros que nos desunam, há apenas um mar que nos rodeia! Aqui ou ali, ali ou acolá dentro deste espaço sinto-me em casa, sinto a ilha de que faço parte.

Joana Bettencourt
Assessora Parlamentar do Bloco de Esquerda
Candidata à Câmara Municipal da Praia da Vitória

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