OS (+) MAIS E OS (-) MENOS DO DEBATE PARLAMENTAR DO PROGRAMA DO XIII GOVERNO DOS AÇORES

De quarta a sexta-feira da semana passada, debateu-se na Assembleia Legislativa dos Açores, na cidade da Horta, a proposta do Programa do XIII Governo Regional dos Açores, da responsabilidade da coligação pós-eleitoral PSD, CDS e PPM, com os apoios de incidência parlamentar do Chega e da Iniciativa Liberal.

Num triste debate em que mais do que ideias se trocaram acusações, em que a alternância substitui-se à alternativa, e que em vez de falar-se de futuro se centrou no passado, em mais um exercício que em nada contribui para a dignificação da política e dos seus agentes junto do cidadão comum, assinalamos, num ótica que é invariavelmente subjetiva, os mais (+) e os menos (-) do momento primeiro daquela que será a nossa vida coletiva nos próximos quatro anos.

PEDRO NEVES (+)

O deputado Pedro Neves do PAN, foi uma lufada de ar fresco neste debate parlamentar. Foi dos poucos a não acantonar-se ao passado, centrando-se no futuro e no verdadeiro propósito daquele plenário.

Rapidamente esgotou o tempo definido no Regimento da Assembleia à representação parlamentar do PAN, em múltiplas perguntas ao Governo sobre as estratégias da governação para os próximos quatro anos. Recebeu respostas ambíguas e na maioria dos casos nem respostas recebeu.

JOSÉ MANUEL BOLEIRO (+)

O novo presidente do executivo assumiu – como aliás seria de esperar — uma postura de estadista: congregador de múltiplas vontades, facilitador de pontes de diálogo que permitem convergências e revelou-se convictamente confiante num novo ciclo de governação, assento num futuro melhor para todos, sem exceção, dos habitantes do Corvo aos de Santa Maria, dos mais jovens aos mais idosos, dos que nele confiaram, mas também de todos os outros que tiveram outra escolha, nas duas ocasiões em que interveio, início e final do debate.

Embora sendo o esperado, não deixa de merecer destaque, até porque pelo meio não foi isso que se viu no debate, não só do maior partido que suporta o Governo, como nas intervenções de alguns membros do executivo, entre eles o vice-presidente. Pelo contrário, José Manuel Bolieiro apresentou-se reconhecido e respeitador dos Açores de ontem, revelando-se, muito naturalmente, dedicado aos Açores de amanhã, consciente que juntos e unidos os açorianos são mais capazes de dar aos Açores do futuro mais esperança.

VASCO CORDEIRO (+)

A presença de Vasco Cordeiro no parlamento açoriano é, desde logo, um exercício de integridade, humildade e respeito pela vontade do povo açoriano e, sobretudo, pelo eleitorado do Partido Socialista. Quando outros candidatos a deputados renunciaram ao seu mandato, Vasco Cordeiro, assumiu-o de forma humilde e respeitadora, liderando agora o grupo parlamentar do PS.

Como líder parlamentar defendeu a honra da sua bancada face aos ataques que lhe eram dirigidos. Defendeu ainda o património político do seu partido, de resto, outra coisa não seria de esperar.

Usou, sem abusar das figuras regimentais, desmontando uma rasteira que lhe vinha da tribuna.

No discurso final, clarificou que o PS, mais do que a alternância é a efetiva alternativa às políticas que agora se iniciam.

LUÍS GARCIA (+)

Fruto de largos anos de experiência parlamentar, a nova figura máxima da autonomia açoriana conduziu os trabalhos de forma exemplar.

Chamou atenção dos senhores e senhoras deputadas quanto tal se exigia, não se deixando guiar pela sua filiação partidária.

Perspetiva-se um bom mandato, para honra e nobreza da casa mãe da democracia autonómica dos Açores.

ALEXANDRA MANES (+)

Visivelmente nervosa – algo que com o tempo se dissipará – a nova deputada do Bloco de Esquerda foi fiel às bandeiras do seu partido e nesse sentido interpelou, nos vários momentos de debate, os diversos membros da ação governativa.

Tal como Pedro Neves, muitas das suas perguntas ficaram por responder, enquanto outras tiveram como resposta generalidades.

Independentemente de se concordar ou não, Alexandra Manes foi coerente com as suas convicções, num debate em que a coerência do antes e depois de 25 de outubro, se revelou uma abismal contradição.

Nas suas intervenções, Alexandra Manes foi uma fiel testemunha das palavras de António Lima quando afirmou, no final do debate, que o Bloco de Esquerda “não mudou de sítio, nem de política”. A coerência política é a melhor de todas as campanhas que se possam fazer para combater a abstenção.

JOAQUIM BASTOS E SILVA (-)

Lamentável o episódio da decisão que não é decisão, mas que não poderá deixar de ser a decisão. Da tribuna governamental é exigido outra responsabilidade e, sobretudo, outro empenho na defesa dos legítimos interesses do povo açoriano.

A SATA, no nosso contexto arquipelágico, é indispensável para a mobilidade dos açorianos e independentemente dos erros do passado, urge a qualquer Governo dos Açores, antes de mais e acima de tudo, pugnar pela sua viabilização, e não de forma gratuita, delapidar a sua credibilidade à custa de eventuais dividendos políticos.

Joaquim Basto e Silva já havia preconizado o triste episódio da transição de pastas entre executivos regionais, onde acusou o antigo titular de faltar a uma reunião. Este alegou “equívoco de comunicação” para não ter comparecido.

Com mais este episódio, tudo indica tratar-se mais de um estilo do que infelizes coincidências, porventura um “remake” do “modus operandi” de outros tempos.

FAENA PARLAMENTAR (-)

O deputado Berto Messias do PS e João Bruto da Costa do PSD – ambos aficionados — protagonizaram um dos momentos mais hilariantes e demagógicos destes três dias de debate sobre a proposta de Programa do XIII Governo Regional dos Açores.

Indagou Berto Messias, a secretário regional da Cultura, Ciência e Transição Digital, Susete Amaro, se a mesma partilhava a opinião de Ricardo Tavares sobre a tauromaquia, já que notícias, até agora nunca desmentidas, apontavam o referido nome como futuro diretor regional da Cultura.

Perante a não resposta de Susete Amaro, e a insistência de Berto Messias, o deputado do PSD, João Bruto da Costa, pediu à mesa para intervir.

À demagógica pergunta de Berto Messias respondeu João Bruto da Costa no mesmo tom demagógico, aditada de conscientes imprecisões, citando um “site” que é página de Facebook e que nunca reproduziu as declarações avançadas. Na verdade, a referida citação, encontra-se referida na petição online que solicita ao presidente do Governo a não nomeação de Ricardo Tavares.

PEDRO NASCIMENTO CABRAL (-)

Discursava a secretária regional das Obras Públicas e Comunicações, quando Vasco Cordeiro, por motivos que só a ele dizem respeito, se ausentou do hemiciclo.

O líder parlamentar do PSD, Pedro Nascimento Cabral, interpelou a mesa da Assembleia, para que ficasse registado, que Vasco Cordeiro havia abandonado a sala, evidenciando, segundo a sua visão, falta de respeito para com os membros do executivo.

Esclareceu Andreia Cardoso, uma das vice-presidentes do grupo parlamentar do PS, que a sua bancada é constituída por 25 deputados e que estes continuam na sala do plenário, e que como todos os outros restantes deputados de todas as restantes bancadas, também Vasco Cordeiro tem a sua vida, e teve necessidade de se ausentar para tratar de assuntos inadiáveis.

Mais um episódio lastimoso que nada dignifica a figura de deputado nem do parlamento.

SUSETE AMARO (-)

Susete Amaro ao recusar a responder à pergunta demagógica de Berto Messias acabou por responder. Se porventura existiam dúvidas quanto à posição da nova secretária com a tutela da Cultura em relação à tauromaquia estas dissiparam-se.

Não ser aficionada e até estar contra a tauromaquia, não menoriza em nada as suas qualificações para o cargo, que deseja-se seja desempenhado com o máximo de sucesso.

Fugir às perguntas e não assumir de forma clara as suas convicções é preocupante, numa missão que para além da competência, se exige transparência e verdade.

NUNO BARATO (-)

Na sua intervenção final, o deputado único do Iniciativa Liberal, Nuno Barata, relembrou que o seu partido defendeu na campanha eleitoral “retirar o Estado e a Região Autónoma do comando da economia e do sector empresarial” e que esta ideia encontra-se plasmada no programa do Governo, na reforma do Sector Público Empresarial da Região.

Quem pensou que a redução do Estado se aplicava também aos tentáculos do Governo está profundamente enganado, para a iniciativa liberal a dimensão do Governo não é Estado, tanto mais que viabiliza o maior Governo da história da Autonomia.

Para Nuno Barata não se tratará de uma contradição, mas para incauto cidadão trata-se de mais uma “cambalhota” das muitas dos atores políticos.

DEPUTADOS DO CHEGA (-)

O escritor terceirense Joel Neto, classifica os dirigentes do Chega nos Açores como “marionetas” de André Ventura, afirmando que tais “marionetas” são “recolhidas pelas esquinas”.

A pobreza das intervenções dos deputados do Chega, no debate do programa do Governo Regional, parecem lhe dar razão.

A bem da democracia, da representatividade parlamentar e do futuro dos Açores, deseja-se que os deputados do Chega dediquem mais tempo à preparação dos trabalhos parlamentares, para que possam enriquecer o debate parlamentar, o que claramente nestes três dias não se verificou.

© PE/FS

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