AO POVO AÇORIANO QUE NADA TEM

Almerindo Ázera

Hoje em dia ser Açoriano é mendigar por apoios e viver em subserviência do poder político.

Aqueles que chegaram às Ilhas eram despojados de tudo; refizeram a sua vida a partir do que tiravam, dava a terra e do mar – sobreviveram, lutaram pela sua subsistência, criaram uma comunidade de que nos orgulhamos. Hoje em dia, muitos vivem sem nada, é o governo que ajuda, que apresenta soluções, que define o que é ou que não é cultura, que dá o auxílio, o subsídio e a casa. E a partir do momento em que estes apoios superam a riqueza do próprio trabalho, podemos dizer que não somos donos de nada, abdicamos dos nossos princípios, valores e ideologias.

Desapareceu o espírito do açoriano, forjado por séculos de insularidade? O povo açoriano tinha capacidade de resistência ou a religiosidade de um povo que nunca o fez desistir, a insularidade ajudou a definir o modo de ser, de estar, de pensar e de agir, eramos livres, criativos, engenhosos e fomos responsáveis pela difusão dos ideais liberais pelo país.

Fomos nós os açorianos que sempre defendemos, ao longo da nossa História, uma menor intervenção do Estado na economia e na sociedade, a liberdade de comércio e os direitos individuais, indo contra o poder centralizado. Hoje em dia, vivemos submissos a um governo centralista e paternalista.

Vitorino Nemésio quando criou, em 1932, o conceito da “açorianidade”, escreveu a sua emblemática frase: “Para nós, açorianos, a Geografia vale outro tanto como a História”.

Os açorianos não aproveitaram a sua vocação atlântica e a sua importância geoestratégica. Somos uma das regiões mais pobres da Europa, pior que ser pobre é a ciência comprovar que nascer pobre é uma das principais razões para o insucesso, caminhamos para nada ter.

Em 2013 o governo Açoriano considerou os Açores como parte das “autoestradas do Mar” com a criação de um grupo de trabalho para desenvolver o projeto do ‘hub’ atlântico no Porto da Praia da Vitória.

Onde está o proclamado hub marítimo? Afirmar que somos um povo ambicioso é uma confirmação de outros tempos. Atualmente, preferimos deixar o poder na mão do governo alimentando as elites politicas, esquecemos da ambição individual, somos um povo que nada tem. Renunciamos á nossa liberdade de criar riqueza própria, vivemos subjugados aqueles que nos governam. Glorificamos a história e os feitos alcançados no passado, mas não conseguimos valorizar a geografia.

A riqueza atual do povo Açoriano (expressão que os colonialistas desejam retirar da Constituição) está assente na história, noutros tempos de glória, na insularidade que moldou uma cultura e uma identidade própria. Mas infelizmente, vão nos distraindo, acabando com a autonomia de uma região e do seu povo.

A realidade é que os factos não mentem.

Os Açores são governados sem ambição, sem visão, sem a garra que nos caracteriza – e por achismos e conveniências políticas. O povo Açoriano não pode tolerar que tudo seja imposto por uma elite iluminada que diz tudo saber, tudo ver, tudo antecipar.

Faz-me confusão quando alguns no poder desferem ataques básicos e vazios de conteúdo aqueles que ousam questionar. Quando não querem trazer seriedade e objetividade às divergências, quando o certo seria reconhecer o trabalho, o estudo, e pôr em cima da mesa os dados para cooperar.

Mais importante do que as personalidades e o mediatismo regionais são as ideias que se defendem. Todos sabemos: as pessoas passam, mas as ideias ficam. E as ideias de subserviência ao poder político têm servido mal os açorianos. Um povo despojado de bons princípios políticos é um povo que nada tem.

Precisamos de menos influência política na nossa vida quotidiana. Queremos garantir que o povo açoriano será autónomo para voltar a decidir como quer criar a sua própria riqueza. Precisamos de mais liberdade, mais autonomia e responsabilização da economia e da sociedade civil.

É um imperativo reavivar o povo Açoriano. Necessitamos de um povo alerta, informado e com capacidade de ver além do imediato. Precisamos de um povo com mais liberdade para agarrar o seu destino. O caminho é longo e não tem atalhos – será feito com passadas seguras e sólidas.

Almerindo Ázera
Apoiante da Iniciativa Liberal – Açores

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