O FOGUETÓRIO NÃO PASSOU NA CALHETA

António Lima

Em tempos, governos e executivos municipais guardavam as inaugurações de todas as obras e projetos para o período pré-eleitoral para que, com a memória fresca, o povo votasse no partido detentor do poder. Era um clássico do período pré-eleitoral.

Era em ano de eleições que as obras eram concluídas e os problemas, que se arrastavam durante quatro anos (ou mais), eram resolvidos. “Devia haver eleições todos os anos” é o corolário deste tipo de atuação deplorável.

Hoje, em tempos em que o investimento público anda à míngua, as obras a inaugurar são poucas e os problemas que requerem investimento público a sério para serem resolvidos arrastam-se de legislatura em legislatura.

O Governo Regional do PS, à falta de fitas para cortar e anúncios de concretizações relevantes, criou o foguetório, ou como lhe chamou recentemente o Secretário da Presidência, Berto Messias, o “prometório”.

O foguetório traduz-se em visitas de propaganda, disfarçadas de visitas estatutárias ou de trabalho onde, para além das parcas inaugurações, se realizam as mais diversas e criativas tipologias de eventos para dar a ideia de que algo será feito… um dia…

São anúncios de obras, apresentações de projetos, lançamento de concursos, assinaturas de contratos, lançamentos da primeira pedra (um clássico), visitas a obras, entradas em funcionamento e a tradicional cerimónia de inauguração. Há para todos os gostos e dá para compor uma agenda preenchida, um verdadeiro foguetório de propaganda.

Não encontrou o Governo Regional uma única tipologia desta lista para visitar a Calheta de Pêro de Teive em Ponta Delgada e o elefante branco que constituem as galerias comerciais. Nem sequer uma martelada no betão! As mais recentes promessas de demolição para criação de uma praça pública e de um hotel (mais um!), não passaram do papel.

No seguimento de uma decisão de dezembro de 2017, no mês de maio seguinte, o Governo Regional estabeleceu o prazo de 4 meses para que o Fundo Discovery iniciasse as obras de demolição após emissão de licença por parte da Câmara Municipal.

Foi noticiado e confirmado pelo município que o projeto foi aprovado em maio de 2019; o projeto de demolição foi aprovado em setembro de 2019; e a taxa de demolição paga em outubro de 2019. Em novembro do mesmo ano a Câmara Municipal dizia que as obras de demolição começariam quando o promotor quisesse. Tudo pronto, portanto!

Então por que motivo não se iniciaram as obras de demolição? Dizia o Fundo Discovery a 29 de setembro de 2019 que as obras “não começaram mais cedo para evitar incomodar os hóspedes alojados no hotel Azor(…)”.

Em resposta à denúncia que o Bloco fez ontem de mais este desrespeito pela população, vem o Governo Regional responder dizendo que “estão em fase de aprovação camarária os projetos das especialidades” e que por isso não há incumprimentos. Areia para os olhos!

Passamos de só faltar entrarem as máquinas, a haver projetos por aprovar.

Conclusão: alguém está a mentir descaradamente!

E quem está a mentir? O Fundo Discovery, a Câmara Municipal ou o Governo Regional? Ou será que todos mentem em tempos e modos diferentes de forma a empurrar com a barriga, zelando pelo interesse económico e espezinhando o interesse da população, como fazem há 20 anos?

Não se pode esperar mais! Ou a demolição e as obras do projeto aprovado começam no imediato ou Governo e Câmara têm de colocar, por uma vez, o interesse do povo em primeiro lugar e devolver Calheta às pessoas.

António Lima
Coordenador e deputado regional do BE/Açores

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