POLÍTICA VS. POLITIQUICE

Sofia Ribeiro

Aproximando-nos a passos largos das eleições legislativas regionais, é evidente que nos encontramos já em pré-campanha eleitoral. Num período marcado por um distanciamento necessário para evitar a disseminação da Covid-19, o recurso à imagem e à mensagem rápida estará, naturalmente, mais presente. Sem colocar em causa a importância da influência do marketing político que caracteriza de forma cada vez mais evidente as campanhas partidárias, não podemos deixar de nos determos sobre o conteúdo das respetivas mensagens. Neste reside a diferenciação entre a campanha ser marcada pelo exercício da Política, na aceção da palavra como ato nobre de persuadir a população para a capacidade de condução do seu destino, ou da politiquice, forma muitas vezes ordinária de conduzir um debate essencialmente marcado pela estratégia de defesa/ataque partidário e pessoal.

Perante a necessidade de recurso à mensagem rápida, poderemos facilmente cair no exercício da politiquice, que não deixa de constituir a única estratégia possível perante a falta de substância, ou quando se pretende, simplesmente, desviar as atenções de uma discussão inconveniente. Sem meias palavras, é, obviamente, o que está, por exemplo, por detrás das alusões ao PSD/Açores dos tempos anteriores a 1996. Decorridos mais de 24 anos, em que o Mundo mudou substancialmente, esta associação que, pasme-se, continua a ser recorrente, apenas evidencia imobilismo político que já nem é capaz de utilizar um argumento dos tempos correntes para atacar um adversário político. Argumentos desta natureza apenas afastam o eleitor das urnas, que não se revê no ataque imediatista.

No sentido inverso, a mensagem será tão mais eficaz quanto efetivamente percecionada pelo destinatário, sendo que apenas funciona como estímulo quando efetivamente associada a uma correlação. A título exemplificativo, utilizando o mote de campanha do PS/Açores, que se antecipou na apresentação nesta campanha eleitoral, de pouco serve o mote “P´rá frente é que é caminho” quando se desconhece de que “caminho” se trata. No limite, se à frente se encontrar um abismo, certamente a população preferirá dar um outro passo.

A fazer tábua-rasa dos substanciais problemas estruturais que a Região enfrenta, o PS corre o risco de continuar a perder eleitorado. Já do lado do PSD/Açores, a realidade é que não tem sido capaz de capitalizar esses votos, pelo que o desafio que se lhe coloca é o de transmitir ao Povo a confiança de que é o Partido que apresenta o melhor projeto para que o “p´rá frente” constitua evolução. Não é tarefa fácil, quando se defronta com uma máquina oleada pelo exercício do poder, mas é precisamente do lado da capacitação da resolução dos desafios regionais que se encontra a viabilidade de sucesso. Para conseguir cativar o voto dos cerca de 60% de abstencionistas das últimas eleições regionais, o PSD/Açores terá de apresentar de que forma pretende capitalizar a Região e as empresas regionais, qual o critério de atribuição dos subsídios europeus, qual a estratégia de crescimento económico, como potenciar o desenvolvimento social. Terá, por isso, de apresentar um projeto político, lutando contra a politiquice.

Sofia Ribeiro
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