UM ANO LETIVO PARA APROVEITAR

Sofia Ribeiro

O ano letivo está a terminar. Para muitos, já terminou, até. Depende do ciclo/nível de ensino. Foi, efetivamente, um ano diferente. Exigente, demasiado exigente para todos. Alunos, professores e encarregados de educação tiveram de adaptar-se abruptamente a uma realidade de ensino a distância, mas transcenderam-se, ultrapassaram dificuldades, criaram alternativas que garantiram a continuidade do processo de ensino/aprendizagem. Quer a nível de conteúdos, mas, essencialmente, explorando novas competências de comunicação com os alunos e as famílias. Não se compreende, portanto, a visão da tutela da educação que classifica este ano como estragado. Evidencia uma visão demasiado retrógrada do sistema educativo, meramente focalizada num ensino restringido à transmissão de conteúdos. E mesmo assim, completamente desconexa com o que realmente se fez no que concerne a estas aprendizagens.

Esta depreciação é tão mais grave quanto evidencia uma incapacidade de mudança. O que aconteceu neste período letivo constitui uma excelente oportunidade de inovarmos a Escola, não enquanto estabelecimento, mas nesta tríade que assenta no relacionamento entre pais, alunos e professores no que concerne à Educação. Não podemos desvalorizar e desperdiçar o que foi alcançado, temos antes que aproveitar novos procedimentos, novas atitudes, que conferem à Escola a contemporaneidade que se lhe exige, a vários níveis.

A começar no que concerne a um problema que não é exclusivo ao ensino: o da excessiva burocratização. Foram dados passos significativos que podem contribuir para a simplificação e agilização de procedimentos, que poderão por termo a processos administrativos incompreensivelmente obsoletos e representar ganhos substanciais no envolvimento das famílias. Todo o processo de gestão de alunos, a começar pelas matrículas até à comunicação da sua avaliação pode e deve ser agilizado, desde que haja uma correta padronização de procedimentos que se concretize em ganhos de eficácia.

A diversificação de estratégias e de procedimentos de ensino, aprendizagem e de avaliação dos alunos e do próprio sistema educativo também não deve ser descurada. Nada substitui uma aula presencial nem as vantagens que decorrem da proximidade da interação entre professor e aluno, mas o ensino só tem a ganhar com o investimento e abertura a novas tecnologias, em regime de complementaridade. Uma inovação que tem vindo a ser introduzida por muitos docentes na sua lecionação, por iniciativa própria, mas que pode, agora, ser massificada. Isto significa um maior mas não inexequível investimento em recursos informáticos, na formação dos docentes e na reintrodução do ensino das novas tecnologias de informação e comunicação. E por que não apostar na generalização do recurso a manuais escolares digitais, com novas funcionalidades e recursos interativos, com menor custo para as famílias, a exemplo do que já faz a nossa congénere Região Autónoma da Madeira?

Estes são apenas pequenos exemplos do que pode ser feito. Neste final de ano escolar, há muitos procedimentos que têm de ser avaliados, mas não tenho qualquer dúvida em afirmar que este é um ano letivo para aproveitar, numa visão de Escola de futuro.

Sofia Ribeiro
www.facebook.com/maisacores
sribeiro.maisacores@gmail.com

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