QUANTOS VÃO PODER USUFRUIR?

Mário Rui Pacheco

O programa recentemente lançado pelo Governo Regional dos Açores, “Viver os Açores”, é uma campanha que se baseia numa remota alternativa para o incentivo ao incremento da economia regional.

As medidas apresentadas pelo governo regional, para colmatar a falta de turismo externo, vão ao encontro da população açoriana, incentivando-a fazer férias na região, “cá dentro”.

O sector do turismo entende estas medida como uma possível bomba de oxigénio, mas na realidade este programa não está ao acesso de todas e todos os açorianos, devido à complexidade burocrática que está inerente ao seu processo de execução.

Numa altura em que uma grande parte da população ativa se encontra em regime de Lay-off e uma outra parte teve uma redução de rendimentos, por via da pandemia, portanto uma grande parte da população dificilmente terá condições financeiras para concretizar as famosas “férias cá dentro”.

O apoio estará em vigor de 16 de Junho a 31 de Dezembro deste ano, contempla um apoio de 50% num valor máximo de 150€, onde o utilizador é obrigado a cumprir alguns requisitos. – e bem! – É um dos aspetos positivos deste programa, porque contempla as empresas de alojamento, restauração e de animação turística.

O grande imbróglio deste programa é a obrigatoriedade a que os açorianos e açorianas estão sujeitos, ou seja, existe a obrigatoriedade de adiantar o valor na sua totalidade para que seja reembolsado após dez dias, da chegada à sua ilha de residência.

Relembro que o governo é o representante máximo do povo açoriano e único acionista da companhia aérea Sata, perante isto, nós açorianos merecíamos maior respeito por parte do governo dos Açores. Instrumentos empresariais não faltariam decerto a este acionista, que nos representa.

O povo açoriano estava expectante relativamente á tal estratégia para planear as suas férias na região, no entanto, viram as suas expetativas defraudadas, pois, ao contrário do que esperavam – preço da sua viagem mais acessível, ou pelo menos fosse feito um desconto direto na aquisição da passagem – seria uma forma de incentivar mais agregados familiares a fazer férias pelas nossas ilhas. Não seria uma oportunidade para o comercio tradicional vender mais por via desta poupança inicial?  

Ora bem! É hora de um casal açoriano fazer contas – de padeiro – são três dias de férias, onde tem de contabilizar os requisitos obrigatórios que são: passagem aérea; alojamento em uma unidade hoteleira ou alojamento local; três refeições por cada pessoa; e uma atividade turística por cada pessoa. Em termos de analise de valores médios de mercado este casal, terá de desembolsar um valor de 600€, isto, só para cumprir os requisitos do programa. Contudo, salienta-se que o valor real será muito superior a este, porque existe determinado valor que não esta contabilizado para este apoio.

Termino, afirmando que, nestes moldes, não existe uma oportunidade para todos os açorianos e açorianas, mas sim só para quem pode, sendo que o custo de oportunidade neste caso é muito elevado!

Mário Rui Pacheco
Empresário; Economista; Estudante de MCEE em Economia e Politicas Públicas na UAC.

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