PRAIA DA VITÓRIA: CONGRESSO “OLHAR O FUTURO” DEBATEU INOVAÇÃO PEDAGÓGICA E INCLUSÃO

Promovido pela Olhar Poente – Associação em Desenvolvimento, o congresso proporcionou dois dias de reflexão, partilha de experiências e exploração de estratégias educativas, com destaque para a pedagogia Waldorf, a Escola da Floresta, o modelo HighScope e o papel das Ciências Experimentais na infância, segundo uma nota de imprensa divulgada pela organização.

O primeiro dia foi dedicado à apresentação de diferentes abordagens pedagógicas, que valorizam a autonomia, a aprendizagem ativa e a relação da criança com o meio envolvente. Apesar das suas especificidades, os modelos apresentados convergem na importância de reconhecer a criança como protagonista do seu desenvolvimento, através da exploração, da experimentação e da interação com os outros e com o mundo.

O papel das Ciências Experimentais na infância esteve igualmente em debate, com destaque para a importância de estimular a curiosidade, a observação e o pensamento crítico desde os primeiros anos de vida. A organização salientou a necessidade de criar condições para que as crianças formulem perguntas, experimentem e descubram o mundo que as rodeia.

Os workshops complementaram as sessões de reflexão, proporcionando aos participantes contacto com ferramentas e estratégias passíveis de aplicação nos respetivos contextos profissionais. A componente prática procurou reforçar a ligação entre o conhecimento e a intervenção quotidiana, sublinhando a importância de questionar práticas, avaliar resultados e adaptar metodologias às características e necessidades de cada criança.

INCLUSÃO ESTEVE EM DESTAQUE NO SEGUNDO DIA

Sob o tema “Envolver para incluir”, o segundo dia do congresso centrou-se na participação das crianças, na valorização da diversidade e na construção de contextos educativos mais inclusivos.

A discussão incidiu na necessidade de garantir oportunidades efetivas de aprendizagem e participação a todas as crianças, independentemente das suas características, capacidades ou contextos de origem.

Neste âmbito, a inclusão foi abordada como um processo que exige identificar e ultrapassar barreiras nas práticas educativas, nas instituições e nas comunidades. A diversidade, incluindo na sua dimensão intercultural, foi apresentada como uma riqueza a reconhecer e valorizar, através da adaptação dos ambientes e das estratégias às diferentes realidades.

O encontro destacou também a importância da cooperação entre profissionais, famílias, instituições e entidades públicas. De acordo com a organização, a proximidade entre entidades nas comunidades insulares pode facilitar a partilha de recursos e a construção de respostas mais ajustadas às necessidades locais, desde que exista um compromisso efetivo com o bem-estar e o desenvolvimento das crianças.

ORGANIZAÇÃO DEFENDE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS CONSCIENTES

No encerramento dos trabalhos, a presidente da Olhar Poente – Associação em Desenvolvimento, Sandra Serpa, defendeu que inovar pedagogicamente não significa necessariamente abandonar as práticas existentes, mas questioná-las e procurar formas mais significativas de promover o desenvolvimento infantil.

A responsável alertou ainda para os riscos de aplicar metodologias como fórmulas universais, sublinhando que a diversidade das crianças e dos contextos exige escolhas pedagógicas conscientes e intencionais.

Sandra Serpa destacou igualmente a importância do brincar, da experimentação e da descoberta, desafiando os participantes a levar as aprendizagens do congresso para a prática quotidiana.

“Que levemos connosco a curiosidade de quem experimenta, a humildade de quem reconhece que ainda tem muito a aprender e a coragem de quem está disposto a mudar e permitir que as crianças sejam crianças”, afirmou.

Com esta segunda edição, a Olhar Poente – Associação em Desenvolvimento reforça a aposta na promoção do conhecimento, na partilha de experiências e na valorização de práticas pedagógicas orientadas para uma educação mais participativa, criativa e inclusiva.

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