
Tenho um amigo que me diz ter trabalhado para um jornal, ainda no tempo da Velha Senhora…
Diz ele, que tinha de se deslocar a um determinado lugar com um envelope fechado, aguardar que o recebessem e esperar até que decidissem o que fazer com o lápis azul…
Após andar pacientemente de lado pra lado no corredor do referido edifício, aguardando a devolução do envelope, finalmente o traziam a fim de o entregar na sede do referido jornal diário…
Eram tempos do passado, de profunda ditadura, em que não se reclamava nem mugia, senão, o fim, seria ficar encerrado naquela casa com janela aos quadradinhos…
Cinquenta anos depois da queda desse terrível regime ditatorial, era suposto que a liberdade de imprensa fosse uma realidade incontornável! Que não houvesse mais lápis azuis nem de outra cor qualquer.
Lamentavelmente, embora tenham mudaram de cor, de preferência entre o laranja e o vermelho… Continuam pelos mais variados modos, sejam eles nas redes sociais, nos jornais ou até mesmo nas rádios…
Se antigamente não escrevia, mas falava de surdina, hoje nem falo à vontade e muito menos escrevo, sem que seja bloqueado pela comunicação social, sempre que contesto o lápis laranja ou o vermelho…
A resposta só pode ser uma: Quando se depende de um subsídio, do qual depende a sustentabilidade de uma empresa, neste caso, um órgão de comunicação social, fica-se sujeito à vontade do contribuinte e, acaba-se perdendo a nossa própria opinião, os nossos princípios, os nossos valores…
O antes morrer livres do que em paz sujeitos, foi memória esquecida, ou pior do que isso, está sendo VENDIDA…
Fernando Mendonça
