
A Representação Parlamentar do PAN/Açores manifestou o seu repúdio pelo incidente ocorrido no sábado durante o Cortejo Etnográfico das Festas do Espírito Santo, em Ponta Delgada, quando dois bois que puxavam um carro entraram em pânico e se soltaram da estrutura. A posição consta de uma informação à imprensa divulgada ontem pelo partido.
A Representação Parlamentar do PAN/Açores condenou o incidente registado no sábado, durante o Cortejo Etnográfico integrado nas Festas do Espírito Santo, em Ponta Delgada, em que dois animais de grande porte que puxavam um carro de bois entraram em pânico, soltaram-se da estrutura, provocaram danos no veículo e correram em direção ao público.
Segundo a informação à imprensa divulgada ontem pelo PAN/Açores, o porta-voz e deputado regional Pedro Neves espera que não se tenham registado feridos entre os populares, mas considera «lamentável que episódios desta natureza persistam, ano após ano, com o censurável patrocínio da Câmara Municipal de Ponta Delgada».
O partido sustenta que situações como esta resultam da exposição dos animais a «cenários de ruído intenso, estímulos descontrolados, stress físico e psicológico», alegando ainda que os animais chegam a ser «picados» ou chicoteados para se deslocarem.
Na mesma informação, o PAN/Açores acrescenta que o calor, a humidade, o piso em asfalto e o esforço exigido para puxar estruturas pesadas, frequentemente equipadas com calços para aumentar a resistência e produzir o som característico dos carros de bois, agravam o sofrimento dos animais. Para o partido, «nada neste enquadramento é compatível com bem-estar, segurança ou respeito».
O PAN/Açores recorda ainda que, em maio deste ano, apresentou uma iniciativa legislativa que previa a reconversão progressiva dos veículos de tração animal, substituindo-os por alternativas consideradas mais seguras e compatíveis com o bem-estar animal.
De acordo com o partido, a proposta foi rejeitada com os votos contra da coligação PSD/CDS/PPM, do PS, do Chega e da Iniciativa Liberal, decisão que, na sua perspetiva, manteve um modelo que considera «ultrapassado» e que continua a beneficiar de financiamento público.
Citado na informação à imprensa, Pedro Neves defende que «quando práticas desajustadas persistem, não por necessidade, mas por inércia, estamos a abdicar de um compromisso básico com a responsabilidade pública e com a dignidade da vida, reconhecendo que o respeito pelos animais é um indicador essencial da qualidade das nossas escolhas coletivas».
O deputado regional acrescenta que «o que assistimos este sábado é, infelizmente, a consequência previsível da recusa em agir», apelando à «coragem política para colocar termo a esta prática».
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