
O Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores defendeu, na Assembleia-Geral da Comissão das Ilhas da CRPM, que a Região desempenha um papel central na segurança europeia e mundial, alertando para a necessidade de maior reconhecimento das regiões ultraperiféricas.
O Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, afirmou que o arquipélago tem um contributo “fundamental para a segurança europeia e mundial”, destacando a sua posição geoestratégica no Atlântico. As declarações foram proferidas durante a Assembleia-Geral da Comissão das Ilhas da Conferência das Regiões Periféricas e Marítimas (CRPM), realizada na Sardenha, em Itália, segundo uma nota de imprensa divulgada ontem, 30 de abril, pela Vice-Presidência do Governo Regional.
Na intervenção, o governante evocou o papel histórico dos Açores durante a II Guerra Mundial, sublinhando a sua relevância contínua no atual contexto internacional. “Estamos entre Bruxelas e os EUA, servindo de ponte entre a Europa e os EUA”, afirmou, acrescentando que “os Açores são resilientes e estão cá para dar o seu contributo fundamental para a segurança europeia e mundial”, de acordo com a mesma nota.
Artur Lima alertou ainda para a falta de reconhecimento, a nível europeu, das especificidades das regiões ultraperiféricas. “É uma mensagem importante, porque na Europa esquecem-se da importância das Regiões Ultraperiféricas e, sobretudo, do que significa ser ilhéu e viver no meio do Atlântico, a cerca de 2.700 km de Bruxelas”, referiu.
Segundo a nota de imprensa, o Vice-Presidente destacou também a dimensão da Zona Económica Exclusiva dos Açores e o papel da Região na proteção da biodiversidade, sublinhando uma abordagem baseada na ação concreta. “Lideramos pelo exemplo, não apregoamos, e é isso que faz falta discutir: apregoar menos e praticar mais”, enfatizou.
Durante a reunião, as regiões participantes debateram as futuras Estratégia para as Ilhas da União Europeia e a Estratégia para as Regiões Ultraperiféricas, atualmente em preparação pela Comissão Europeia. O governante açoriano defendeu que estes instrumentos devem traduzir-se em medidas práticas e eficazes, fazendo referência aos artigos 349.º e 174.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, que considerou não poderem “ser apenas um artigo jurídico”.
A nota refere ainda que Artur Lima reiterou a proposta de criação de um Observatório Europeu para as Ilhas e defendeu a aplicação do conceito de “Island-Proofing” nas políticas europeias, colocando a insularidade no centro da agenda política.
O Vice-Presidente sublinhou também o potencial das regiões insulares como “laboratórios naturais por excelência”, defendendo financiamento direto para soluções ligadas à economia azul e circular, sem que estas regiões tenham de competir em desigualdade com territórios continentais.
Perante o atual contexto internacional, Artur Lima deixou um aviso sobre a evolução da geopolítica mundial. “Estamos perante uma redefinição vertiginosa da geopolítica mundial e a própria Europa está a ajustar-se a esta nova realidade”, afirmou, acrescentando que a fragmentação geográfica não deve resultar em fragmentação política.
“As regiões insulares da Europa estão todas na mesma tempestade, mas não estão todas no mesmo barco. No entanto, queremos todos chegar ao mesmo destino. E temos de navegar a tempestade com firmeza e determinação”, concluiu, considerando que a revisão das estratégias europeias será “o maior teste à verdadeira solidariedade europeia nesta década”.
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