
O PS/Açores questionou as decisões do Governo Regional relativamente ao futuro do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), apontando contradições entre a aposta num hospital modular e as conclusões de um estudo que identifica problemas de organização e possíveis duplicações de custos na unidade hospitalar.
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Carlos Silva, manifestou preocupações quanto às opções adotadas para o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, após terem sido tornadas públicas informações sobre um estudo elaborado pela Deloitte. A posição foi divulgada numa nota de imprensa emitida no sábado, 18 de abril, pelo Grupo Parlamentar do PS/Açores.
Segundo o parlamentar socialista, o estudo aponta para falhas de organização interna e para situações que poderão estar a originar duplicação de despesas no funcionamento da unidade hospitalar, num momento em que o hospital continua a enfrentar limitações nas infraestruturas e na capacidade de resposta, quase dois anos após o incêndio que afetou o edifício.
Carlos Silva considera que esta informação evidencia uma contradição entre as conclusões agora conhecidas e a decisão do Governo Regional de avançar com a instalação de um hospital modular. Para o deputado, o estudo deveria ter sido realizado antes de serem assumidos investimentos na ordem dos 40 milhões de euros, evitando decisões que poderão ter agravado ineficiências no sistema.
De acordo com a informação divulgada, o documento da Deloitte identifica falhas de integração entre serviços e a ausência de uma organização funcional adequada em áreas críticas do hospital. Situações que, segundo Carlos Silva, são particularmente preocupantes numa fase em que continuam por tomar decisões estruturantes quanto ao futuro da unidade de saúde.
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores defende ainda que estas conclusões reforçam críticas anteriormente feitas pelos socialistas à solução do hospital modular, cuja falta de ligação ao edifício principal poderá ter contribuído para a duplicação de meios e recursos, sem resolver os problemas estruturais do HDES.
Carlos Silva sublinha também que, segundo dados conhecidos, o hospital mantém uma dívida a fornecedores na ordem dos 105 milhões de euros, valor semelhante ao registado em setembro de 2025. Esta situação, refere, ocorre apesar do anúncio do Governo Regional de um pagamento de 200 milhões de euros destinado à regularização de dívidas na área da saúde.
Para o deputado socialista, este cenário “levanta sérias dúvidas sobre a eficácia das medidas adotadas, pelo contrário, confirma os problemas de gestão e o subfinanciamento crónico do HDES”.
Perante esta situação, Carlos Silva defende maior transparência e rigor na gestão do hospital, bem como clareza quanto às opções estratégicas para o futuro da unidade. O parlamentar solicitou ao Governo Regional o acesso ao estudo da Deloitte e à documentação relativa à estratégia definida para o hospital, incluindo a articulação dessas decisões com o novo plano funcional e informação detalhada sobre a evolução da dívida a fornecedores.
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