CHEGA/AÇORES DENUNCIA “ABANDONO” DO SERVIÇO DE HEMODIÁLISE EM SÃO MIGUEL

O grupo parlamentar do Chega dos Açores (CH/Açores) denunciou o “estado decrépito” do serviço de hemodiálise do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, após uma reunião com a delegação regional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), realizada na passada semana. A informação foi avançada através de uma nota de imprensa emitida pelo partido.

Durante o encontro, segundo avançou o CH/Açores, o presidente da delegação açoriana da APIR, Osório Silva, através de videoconferência, expôs várias preocupações relacionadas com os doentes renais crónicos e transplantados, com especial enfoque nas dificuldades vividas na ilha de São Miguel. O responsável referiu-se ao serviço de hemodiálise do HDES como “decrépito”, alertando para o desinvestimento progressivo, a possibilidade de privatização do serviço na Região, a limitação dos transportes pós-tratamento a meios das Associações Humanitárias de Bombeiros, e os longos meses de espera por exames complementares necessários para aceder a consultas de pré-transplante no continente.

O líder parlamentar do CH/Açores, José Pacheco, recordou que “ao longo dos anos, o serviço de hemodiálise do Hospital do Divino Espírito Santo tem vindo a ser alvo de várias denúncias por falta de condições”, sublinhando que a situação se agravou com o incêndio que afetou o hospital e a subsequente aposta num hospital modular. “O problema neste serviço já era grave e com o incêndio e o gasto no hospital modular, parece que se abandonou a hemodiálise no hospital”, afirmou Pacheco, acrescentando que “este serviço público não está a funcionar em condições há muito tempo”.

De acordo com dados apresentados pelo partido, existem atualmente cerca de 450 doentes renais crónicos nos Açores, dos quais 130 realizam hemodiálise em São Miguel. José Pacheco lamentou que “é na maior ilha, onde existe o mais número de doentes, que o serviço está esgotado e não se melhora. É onde quem sofre quatro horas numa cama a fazer tratamento, não tem as mínimas condições e ainda tem de esperar horas para poder ser transportado para casa. Isto é inadmissível”.

Através da mesma nota de imprensa, o CH/Açores garantiu que este é um tema que manterá em agenda parlamentar, prometendo que não deixará cair a exigência de “dignidade para os doentes crónicos” na Região Autónoma dos Açores.

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