NEMÉSIO DEU NOME À PRAIA, MAS NÃO DEU NEM LHE DÁ CRESCIMENTO…

Escrevia há tempos atrás, que a Praia tinha Nemésio, tinha cultura, mas a sua maior valia era sem dúvida, a sua extraordinária baía.

Acontece que a mesma nunca foi devidamente aproveitada pelas respetivas Câmaras Municipais, nem pelos sucessivos Governos Regionais, após o 25 de Abril de 1974. Foi sempre a mendigar ao Poder Central, ou Regional, que se investisse na baía da Praia da Vitória, uma vez que, apresentava condições para a criação de um Porto Oceânico de grande dimensão, deixando ainda espaço, para os mais variados desportos náuticos. Embora um pouco contra vontade, o poder político concentrado na sua maior parte em Ponta Delgada e parcialmente em Angra do Heroísmo… Decide construir o Porto da Praia da Vitória, infelizmente nunca acabado, enquanto continuamente se vem anunciando de ano para ano, alguns milhões para o seu aumento de acostagem e das várias infraestruturas de apoio. Não é por acaso, que com alguma ironia, é por vezes comparado ao Ex- Aero vacas de São Miguel… 

Queiramos ou não, o poder político de uma determinada Ilha ou cidade, é o motor de arranque para o seu crescimento. A Praia não o tem! Teve-o durante alguns anos, através de dois praienses que se distinguiram na luta pela sua Cidade, pelo seu Concelho, muita vez mesmo, contra a vontade do Concelho vizinho, onde sempre se concentrou e se concentra esse poder. Foram esses homens com “H” grande, o Dr. Alvarino Pinheiro, (Infelizmente já falecido e, pelo que sei nunca homenageado…) enquanto deputado ou governante, assim como também, o Dr. Borges de Carvalho, no momento afastado da política, por motivo da sua já avançada idade e também da saúde. Dois homens que tanto no Governo, como na Assembleia Regional, tiveram sempre a coragem de bater o pé pelos interesses da sua Praia!

Mais tarde, tivemos o Dr. Roberto Monteiro, o qual pode ser acusado por muitos de ter endividado a autarquia, mas verdade seja dita, muita coisa foi feita por ele, graças também ao poder político que tinha no partido que governava enquanto nos seus mandatos!

Terminados estes dois ciclos, a Praia começou estagnando, com a agravante ainda da redução militar na Base das lajes, cuja presença contribuía no tempo, em grande medida, para o desenvolvimento económico da cidade e da própria Ilha.

Promessas foram feitas, para que se pudesse amenizar a falta da presença dos militares Americanos e suas famílias, sendo uma delas, a instalação nas diversas lojas da Rua de Jesus e não só, do chamado ”Praia Links”. Sol de pouca dura! Lojas hoje vazias ou alugadas aos Chineses… 

A partir daí, ora por intenções falhadas, ora pelo argumento da acumulação de dívidas das várias estruturas da Câmara Municipal, a Praia entrou em recessão… e, sem perspetivas de solução, nem ideias para lhe dar a volta! Enquanto isso, Angra nos últimos 12 anos, embora também herdeira de grandes dívidas e, mesmo com o poder político instalado na oposição… teve capacidade e imaginação para crescer a passos largos, deixando o Município com dívida zero!

A Praia tem de se reencontrar, chamando a si todos os praienses, que mesmo sem poder político, sejam capazes de bater o pé e afirmarem-se como merecedores de mais respeito pela sua localização de centralidade entre Porto e Aeroporto e, sobretudo pela sua história dos tempos passados na conquista pela VITÓRIA!

Fernando Mendonça

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