O BE A DAR MÚSICA…

Rui Martins

Escreveu esta semana, António Lima, um artigo a que chamou “Atlantis concert for what??”, a impor a sua política do gosto à boa maneira Bloquista, e pior ainda, a levantar suspeições que não concretiza, o que também não é novidade.

Afirma que os promotores andam a fazer pela vida, embora sem honestidade intelectual… Os promotores e os associados estão a fazer Greenwashing, usando o ambiente como verbo de encher para ocultar o impacto negativo da sua actividade.

Não me compete defender os promotores, nem eles necessitam que eu o faça, mas não é de somenos importância referir que de entre os vários parceiros, conta-se também o insuspeito WWF – World Wide Fund for Nature. Deve ser a primeira vez que alguém acusa o WWF de Greenwashing

O escrito ainda vai mais longe e atenta contra o bom nome de quem quer que seja governante… Afirma: os “governantes vêem a conservação da natureza como flor na lapela para adornar negócios.” Gostava que concretizasse. Que negócios? O que é que o BE sabe? Pode concretizar?

O BE atenta contra a democracia, que apenas usa como flor na lapela, uma vez que quem pense de forma diferente, só pode ser um gasoseiro amante de negociatas, uma vez que afirma que “é o que dá colocar a raposa a guardar o galinheiro.” Para António Lima, só o próprio poderia ser o guardador das galinhas…

António Lima conta as histórias pela metade, o que também é hábito, e esquece que ainda em 2021, um dos espetáculos do Tremor foi no mesmo local. Mas não é caso único… Limbo Fest, The Last Paradise e Natural Elements, também aconteceram no mesmo local… Até o David Guetta já lá actuou!! Mas isso não interessa nada.

Por outro lado, o evento está devidamente enquadrado na legislação aplicável assim como obteve parecer de viabilidade pelos diversos serviços na tutela da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, bem como foi realizado um Relatório de Avaliação Ambiental e da Capacidade de Carga, um Parecer da Universidade dos Açores nas vertentes de biologia e geologia e um Plano de Prevenção e Segurança.

O primeiro pedido para a realização do evento foi em 2017, como foi dito publicamente pelo Sr. Secretário do Ambiente e Alterações Climáticas, e que mediante a necessária avaliação e garantia de cumprimento dos apertados critérios a que aquela zona está sujeita, só obteve autorização para a sua realização em 2019. Como, entretanto, vivemos uma pandemia, não se verificou a realização do mesmo. Agora que estão reunidas as condições e verificados os requisitos exigidos, vai então acontecer o evento.

Posto isto, o Secretário Regional do Ambiente e Alterações Climáticas poderia muito bem não autorizar o evento, sendo que para isso teria que se valer, tão só e apenas, do seu gosto pessoal, dizendo que não queria que aquele acontecesse. Assim, de forma discricionária.

Pergunto se é esta a visão que António Lima tem para a administração da coisa pública, que quem está em funções delibere em função do seu gosto pessoal… Só espero é que António Lima, ou o Bloco de Esquerda, nunca fique a guardar as galinhas.

Rui Martins
Deputado do Grupo Parlamentar do CDS-PP na ALRAA