LENDA DE SÃO JOÃO

Segundo reza a lenda, Maria (Nossa Senhora) era prima de Isabel (Santa Isabel), que de idade avançada ainda não fora mãe. Certo dia, numa das muitas visitas que habitualmente fazia a casa da prima, Isabel contou-lhe que em breve daria à luz.

Deslumbrada com a revelação, Maria quis saber como poderia ter conhecimento de tão feliz acontecimento. Isabel então lhe prometeu, que ergueria um mastro e acenderia uma fogueira bem grande para o iluminar, para que lá ao longe, da sua casa, Maria pudesse avistar o fumo, e então saberia que acabara de ser mãe.

Assim, na estrelada noite de 24 de junho, Isabel mandou erguer, na porta de sua casa, um mastro e mandou atear uma enorme fogueira para o iluminar. Ao ver lá de longe, uma grande fumaceira provocada por enormes labaredas vermelhas, Maria soubera que a criança havia nascido e foi-lha visitar, levando de presente uma capelinha, um feixe de folhas secas e folhas perfumadas para o berço.

Isabel era casada com Zacarias, um homem que vivia amargurado por, apesar da idade avançada, ainda nunca ter tido filhos. Certa vez, a criança ainda estava para nascer, Zacarias foi surpreendido por uma luz misteriosa, onde um anjo de asas coloridas lhe anunciou que em breve seria pai de um menino, a quem deveria chamar João. Zacarias encheu-se de alegria, mas, inexplicavelmente, perdeu a voz desse momento em diante.

A criança acabara de nascer, quando na tradição de época, foi perguntado ao pai que nome teria o recém-nascido. Zacarias entrou em pânico, mas ainda assim, não deixou de fazer um gigantesco esforço para falar e, mais uma vez, inexplicavelmente, respondeu “João”, tendo recuperado a voz a partir dessa altura. À alegria do nascimento juntou-se o júbilo do milagre e todos festejaram de satisfação em enorme algazarra.

Os festejos sanjoaninos que um pouco por todo o arquipélago se realizam por esta altura, com principal destaque para as festas Sanjoaninas, em Angra do Heroísmo, estão associados a esta lenda — que como todas as lendas carece de comprovação histórica – juntando-se a algazarra festiva do nascimento e milagre, há enorme fogueira de labaredas vermelhas usada para sinalizar o nascimento de São João Batista a Maria.

© PE