INFORMAÇÃO OCULTA

Nas Ciências da Educação fala-se, muitas vezes, de currículos ocultos, conceito que se entenderá bem reflectindo numa opinião do conhecido pedagogo Miguel A. Zabalza, para quem se aprende mais nos intervalos das aulas do que nas aulas.

Esta aprendizagem dos intervalos das aulas é um dos clássicos pilares desse universo dos currículos ocultos, um universo cheio de espaços informais que formatam jovens e adultos, transversalmente.

Também na comunicação há zonas que, por analogia, poderíamos classificar de ocultas, embora, em boa verdade, não o sejam – são apenas zonas dos discursos informativos onde as informações passam despercebidas como dados adquiridos e inquestionáveis.

Acontece que tais informações podem ser, e às vezes são, discutíveis ou até informações não confirmadas, com a agravante de poderem passar por verdades absolutas e inquestionáveis e, nesta circunstância, por verdades que se instalam sem dificuldade.

Se isto acontece (e já tem acontecido) é também desinformação. Uma desinformação mais difícil de combater e que contamina a informação que lhe serve de hospedeiro e que, involuntariamente, a esconde.

O rigor informativo, a implicar a confirmação das notícias e de todas as informações por fontes independentes entre si, tem de ser uma prática constante no ofício de informar, considerando que a informação é um direito das populações e não uma mercadoria que se ofereça embrulhada em papel do agrado do público destinatário.

Infelizmente, mais por negligência do que por dolo, muita da informação oculta, que rodeia a informação mais mediática das agendas de cada momento, nem sempre tem o tratamento que devia ter, mesmo em espaços de informação que se esforçam por oferecer a verdade inteira.

Esta é sempre mais difícil de conseguir, especialmente em cenários de concorrência excessiva, como é aquele que marca o mundo informativo em que vivemos. Mas esta enorme dificuldade não deve esmorecer a vontade em oferecer uma informação digna desse nome.

O próprio público, o público que consome notícias, deverá ter também interesse em ter acesso a uma boa e completa informação. Bem informados valemos sempre mais.

Júlio Roldão
Jornalista desde 1977, nasceu no Porto em 1953, estudou em Coimbra, onde passou, nos anos 70, pelo Teatro dos Estudantes e pelo Círculo de Artes Plásticas, tendo, em 1984, regressado ao Porto, onde vive.


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