INFLAÇÃO: BE/AÇORES QUER FIXAÇÃO DE MARGENS MÁXIMAS DE COMERCIALIZAÇÃO EM PRODUTOS DE PRIMEIRA NECESSIDADE

O BE/Açores quer uma resposta do Governo Regional que permite atenuar o aumento do custo de vida dos açorianos, decorrente da atual subida generalizada de preços, recomendando ao Governo Regional, entre outras medidas, a “fixação de margens máximas de comercialização de vários produtos de primeira necessidade”.

“É urgente estabelecer um regime de margens máximas de comercialização para um conjunto de produtos de bens essenciais, para mitigar a subida descontrolada dos preços, mantendo ao mesmo tempo a sustentabilidade das empresas e dos comerciantes”, disse António Lima, citado em nota do partido, esta quinta-feira enviada às redações. Uma proposta nesse sentido será debatida já na próxima semana, na sessão plenária de maio, da Assembleia Legislativa Regional.

Os deputados do Bloco de Esquerda estiveram reunidos, esta quinta-feira, em Ponta Delgada, com o presidente da Associação de Consumidores dos Açores (ACRA), Mário Reis, onde consideraram o aumento do custo de vida como “o assunto mais importante que o país vive” e que tem sido o ponto central da discussão do Orçamento de Estado que está a decorrer na Assembleia da República, mas observam, que na Região, o Governo de direita “parece não estar nada preocupado”.

“Preocupa-nos o silêncio e a inação do Governo sobre esta matéria”, disse o deputado do Bloco, em declarações após a reunião, assinalando que a redução do imposto sobre os combustíveis foi a única medida concreta que este governo tomou – e mesmo assim “foi uma trapalhada”, apontou.

 “Mas os preços que estão a subir não são apenas os dos combustíveis, são também os bens alimentares de primeira necessidade, que se prevê que continuem a aumentar ao longo do ano”, frisou António Lima.

A subida constante “e muito preocupante” dos preços de muitos bens essenciais “têm reflexo no custo de vida e nas condições de vida das famílias, principalmente aquelas que têm rendimentos mais baixos, ou mesmo rendimentos médios”, por isso, o Bloco propõe também o aumento dos rendimentos dos trabalhadores do Estado – aqueles que podem ser aumentados por decreto – através do aumento da remuneração complementar. Esta medida pretende também dar um sinal ao sector privado para aumentar salários.

António Lima critica o facto de o Governo não ter feito ainda uma previsão sobre qual será o nível da inflação nos Açores durante este ano, para que as pessoas percebam o impacto que isto terá na sua vida: “Se tivermos uma inflação de 7% ou 8% num ano, isso pode tirar quase um salário a um trabalhador no fim do ano. Isso é muito preocupante. Mas parece que o Governo não quer que as pessoas saibam quanto é que vão empobrecer durante este ano”.

O Bloco aponta ainda outras medidas para responder às dificuldades sentidas pelas pessoas que têm mais dificuldades económicas: “o Governo pode aumentar o complemento regional de pensão para idosos, o complemento regional ao abono de família, e pode criar outras medidas de atenuação do aumento do custo de vida”.

O deputado do Bloco lembra que o atual Orçamento da Região “está em vigor e só o Governo o pode alterar”, acrescentando que “o próximo orçamento só entra em vigor em janeiro do próximo ano, e os açorianos não podem esperar tanto tempo por medidas compensatórias do aumento do custo de vida”.

“O Governo tem que olhar para este problema como o problema mais sério que a região atravessa neste momento”, alertou António Lima.

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