CÂMARA DA PRAIA COM FINANCIAMENTO PARA O PROJETO TERCEIRA TECH ISLAND, DIZ VÂNIA FERREIRA

O município da Praia da Vitória tem financiamento do Governo Regional assegurado para dar continuidade ao projeto Terceira Tech Island e vai assumir responsabilidades na captação de novas empresas, revelou hoje a autarca.

“Há um financiamento do Governo Regional que dá condições para a fixação das empresas. Só fazemos a gestão na ótica do acompanhamento”, afirmou, em declarações aos jornalistas, a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, eleita pela coligação PSD/CDS-PP, à margem de uma reunião com os deputados regionais do PSD eleitos pela ilha Terceira.

Lançado em 2017 pelo executivo regional do PS, com o objetivo de mitigar o impacto da redução militar norte-americana na base das Lajes, que eliminou cerca de 400 postos de trabalho, o projeto Terceira Tech Island visava a criação de um polo de empresas tecnológicas na ilha.  

O Governo Regional assegurava o pagamento de formação de curta duração em programação e o custo das rendas dos espaços onde se instalavam as empresas, estando prevista a recuperação do edifício onde funcionava a escola da Força Aérea norte-americana na base das Lajes para esse efeito no futuro.

Entre 2018 e 2020, instalaram-se na Praia da Vitória mais de 20 empresas da área digital, que criaram cerca de 170 empregos.

Em novembro de 2020, tomou posse o Governo Regional da coligação PSD/CDS-PP/PPM e, desde então, o PS acusou várias vezes o atual executivo de ter abandonado o projeto, alegando inclusivamente que algumas empresas deixaram a ilha Terceira.

Os socialistas criticaram também a extinção da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), responsável pela captação de empresas.

Questionada pelos jornalistas, Vânia Ferreira admitiu que duas empresas abandonaram o projeto no último ano, mas disse que há 19 instaladas e quatro interessadas em fixar-se na Praia da Vitória.

“Houve uma redução. Essa redução foi anterior à nossa chegada. Houve realmente duas empresas que [saíram], mas foi por opção própria, não foi por falta de condições”, afirmou.

Segundo a autarca, o município vai passar a liderar o projeto de outra forma em 2022, com um “acompanhamento de maior proximidade”, tendo já alocado para o efeito um técnico com “formação na área financeira e experiência empresarial”.

O executivo açoriano assinou, no final de 2021, um contrato ARAAL (regime de cooperação técnica e financeira entre a administração regional e a administração local) com o município, que prevê a transferência de 700 mil euros (350 mil relativos a 2021 e 350 mil relativos a 2022) para a execução do projeto Terceira Tech Island.

“Esse investimento é feito de forma a que as empresas possam ter o apoio às rendas e a reestruturação de espaços para que elas se possam fixar. A câmara, a par disso, assegura despesas fixas e toda a manutenção desses espaços e o acompanhamento técnico”, salientou Vânia Ferreira.

A autarca disse estar convencida de que, se houver necessidade, a verba será reforçada.

“Julgo que, se houver realmente interesse da parte de mais empresas e nós entendermos que o financiamento não é suficiente, temos uma boa relação para que tudo esteja assegurado e que mais venham a ser fixadas”, apontou.

Para o deputado social-democrata Rui Espínola, o contrato ARAAL agora celebrado vem desfazer as dúvidas sobre o compromisso do executivo açoriano com o Terceira Tech Island.

“Fica claro que eram infundados os boatos lançados por alguma oposição relativamente àquilo que era a continuidade do projeto”, frisou.

Questionado sobre o facto de o contrato ter sido celebrado em dezembro de 2021, o deputado social-democrata lembrou que o Orçamento da Região para esse ano só foi aprovado em junho.

Rui Espínola realçou que, em breve, o projeto será regulamentado, sendo atribuídas ao município “responsabilidade de organização, gestão e captação de empresas”.

“Não havia divisão de responsabilidades e, portanto, vai ser regulamentado, vão ser repartidas as responsabilidades, coisa que não havia até então”, apontou.

Para além do contrato com o município, o deputado salientou que “está garantido no Plano e Orçamento [da Região] a verba necessária para a formação dos jovens através da Academia de Código”, num montante de 300 mil euros.

O anterior executivo açoriano celebrou um contrato ARAAL com o município da Praia da Vitória no valor de 135 mil euros, em 2018, mas reforçou-o por duas vezes, sendo o último montante, assinado em agosto de 2020, superior a 1,2 milhões de euros, relativo aos anos de 2018, 2019 e 2020, numa média de mais de 400 mil euros por ano.

Contrato ARAAL n.º 3/2021 de 28 de dezembro de 2021

© Lusa | Foto: CMPV | PE

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