ABDULRAZAK GURNAH VENCE NOBEL DE LITERATURA 2021

Natural da ilha de Zanzibar, na costa da África Oriental, o romancista Abdulrazak Gurnah ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2021. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (7) pela Academia Real das Ciências da Suécia

Gurnah, que se mudou para a Inglaterra como refugiado na década de 1960, recebeu a honraria “por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes”, segundo o comitê do Nobel. Ele foi contemplado com um prémio de 10 milhões de coroas suecas (quase um milhão de euros).

EXÍLIO E IMIGRAÇÃO

Nascido em 1948, o autor de dez romances e vários contos está atualmente aposentado, mas sua última colocação foi como Professor de Inglês e Literatura Pós-Colonial na Universidade de Kent, na Inglaterra. Sua primeira obra, Memory of Departure (“Memória de Partida”, em tradução livre), foi publicada em 1987 e trata de uma revolta fracassada e do impulso do narrador de deixar sua casa.

Gurnah começou a escrever já como refugiado, aos 21 anos, e as dificuldades do exílio estão presentes em seus livros desde então. O escritor lançou Pilgrims Way (1988) e Dottie (1990), que documentam em diferentes perspectivas a experiência do imigrante na Grã-Bretanha. Já seu quarto romance, Paradise, recebeu o Prêmio Booker de Ficção no ano de 1994 e tem como cenário a África Oriental colonial da Primeira Guerra.

O tema imigração está mais uma vez em Admiring Silence (1996), livro que conta a história de um jovem que deixa Zanzibar e emigra para a Inglaterra – assim como o próprio Gurnah. Nessa história, o protagonista se casa e se torna professor, mas uma visita de retorno à sua terra natal 20 anos depois acaba afetando a relação que ele tem consigo mesmo e seu casamento.

Na sua mais recente ficção histórica, Afterlives (2020), o ganhador do Nobel novamente leva o leitor até a África Oriental, onde fica atualmente a Tanzânia, e fala da derrota do imperialismo alemão, da colonização pelos britânicos e por fim do processo de independência.

Anders Olsson, presidente do comitê do Nobel, comentou ao jornal britânico The Guardian que os romances do escritor africano “recuam de descrições estereotipadas e abrem nosso olhar para uma África Oriental culturalmente diversificada, desconhecida para muitos em outras partes do mundo”.

© Galileu | PE

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