AUTÁRQUICAS 2021: QUANTAS CIDADES DE 15 MINUTOS?

A [menos de] um mês das eleições autárquicas, em que irão a votos mais de 300 municípios e mais de 3000 freguesias, coloca-se a questão quantos candidatos têm como plano o desenvolvimento de uma cidade de 15 minutos?

Como diz o pai do conceito “cidade de 15 minutos”, Carlos Moreno, professor da Universidade de Sorbonne, o futuro planeamento urbano tem de permitir a cada um alcançar diariamente o que precisa, a pé ou de bicicleta, em 15 minutos. De acordo com Carlos Moreno, a dinâmica quotidiana das pessoas jamais retornará à que era vivida antes desta pandemia. E, acrescente-se, isso não é necessariamente negativo. Senão, vejamos: quantas horas por dia estava a maioria das pessoas em transportes próprios ou públicos em deslocações diárias? Quantas horas permaneciam as crianças nas creches, escolas e ATL diariamente?

Segundo Carlos Moreno a pandemia fez-nos descobrir o nosso bairro residencial – lugares e pessoas: ser turista à volta de casa. E isso não é positivo? Seria qualidade de vida quando antes da pandemia o local de habitação era para a maioria não uma zona de conforto, mas um local estranho, de alerta, desconfiança ou risco? 

Cada bairro residencial deve, segundo Carlos Moreno, permitir seis diferentes funções sociais: viver, trabalhar, fornecer, cuidar, aprender e desfrutar. Acrescente-se que cada bairro residencial deve permitir que cada um alcance em pleno as suas sete saúdes: física, psicológica, social, espiritual, profissional/escolar, familiar e de lazer.

Alerte-se cada um dos candidatos do impacto positivo que tal medida – o novo paradigma da cidade dos 15 minutos – pode ter na saúde mental dos seus eleitores. A evidência científica é indiscutível no que toca ao facto do sentido de comunidade, de pertença e de participação constituírem grandes factores de proteção da nossa saúde mental.

E, como complemento a este novo paradigma, um outro que tem sido discutido desde 2012, portanto quase há 10 anos: o paradigma da aprendizagem intergeracional – cada geração pode aprender e ensinar simultaneamente, independentemente da sua idade.

Que as eleições autárquicas de 2021 sejam um ponto de viragem para cidades dos três I’s: inteligentes, intergeracionais e integradoras.

© Marta Pimenta de Brito (Psicóloga)


SOBRE A AUTORA

Marta Pimenta de Brito

Prof. Doutora Marta Pimenta de Brito é Psicóloga Doutorada Especialista Clínica e do Trabalho com consultório privado, é Cientista Clínica em multinacionais americanas, é Membro da Comissão de Saúde Mental do Health Parliament Portugal, é Professora Convidada em Universidades Portuguesas e Estrangeiras e foi recentemente Mentora na Comissão Europeia no Hackathon EUvsVirus. Licenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, Doutorada em Acesso à Saúde Mental pela Universidade de Zurique e Pós-doutorada em Retenção de Pacientes pela Universidade de Harvard, conta ainda com formação executiva em Comunicação e Media pela Universidade de Harvard, tendo sido eleita uma das best spokesperson Europe por Bruxelas. Fala fluentemente alemão, inglês e espanhol, tem uma vasta lista de publicações científicas, bem como uma presença assídua nos media e em conferências internacionais, e a sua paixão é ajudar pessoas e organizações a atingir o seu bem-estar. Em Julho de 2020 participou no maior debate sobre saúde mental em televisão no Programa Prós e Contras da RTP: Saúde Mental…A Epidemia Oculta.


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