CMPV: VEREADORES QUE VIRAM COMPETÊNCIAS RETIRADAS QUEBRAM SILÊNCIO E DIZEM DE SUA JUSTIÇA

Os vereadores a tempo inteiro da Câmara Municipal da Praia da Vitória que foram surpreendidos, esta segunda-feira, na reunião ordinária da Câmara Municipal, com uma proposta do presidente Tibério Dinis, que lhes retirava as competências delegadas, quebraram hoje o silêncio que mantiveram por cerca de uma semana e, em comunicado, assinado por Carlos Armando Costa, Tiago Ormonde e Raquel Borges dizem de sua justiça, o qual apresentámos abaixo na íntegra:

“Na sequência dos mais recentes acontecimentos em torno da gestão da Câmara Municipal da Praia da Vitória, e do Despacho de 12 de julho de 2021, (da autoria do Presidente do Município), visando retirar as competências delegadas nos 3 Vereadores executivos, importa, em nome dos princípios éticos da verdade e da transparência, da liberdade e da consciência de cada um de nós, emitir o seguinte esclarecimento:

1. A revogação das competências que nos estavam delegadas desde o início do atual mandato autárquico, feita sem aviso e sem qualquer justificação por parte do Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, é apenas resultado de uma vingança pessoal que, infeliz e lamentavelmente, terá efeitos na gestão e no funcionamento do Município, prejudicando, essencialmente, os cidadãos Praienses e os colaboradores do grupo municipal.

2. A decisão que, unilateralmente, o Presidente da Câmara Municipal tomou, faz-nos concluir que, pelo simples facto de não termos aceite fazer parte da lista de candidatos do PS, encabeçada pelo atual Presidente do Município (nos moldes em que a mesma nos foi apresentada e imposta), foi um ato totalitário.

3. Acreditávamos, infelizmente de forma errada, que a nossa recusa não justificaria qualquer vingança. No entanto, agora se percebe, de forma cabal e esclarecida, o que cada um pensa, sobre a dedicação cívica às causas da missão do serviço público;

4. Acreditamos no futuro da Praia da Vitória, mas defendemos (e não abdicamos deste princípio) que o mesmo passa pelo diálogo, pela proximidade, pela cooperação e pela união. Quem nos conhece, sabe que primamos por esses princípios e valores. Aceitar integrar um projeto político de desenvolvimento da nossa Cidade e do nosso Concelho apenas e só porque podemos valer votos, mas limitados cegamente aos humores e caprichos de quem o lidera, não faz parte da nossa génese. Ademais, aceitar participar num projeto político sem conhecer, sequer, os seus princípios programáticos é impensável, mas, tristemente, foi o que nos foi apresentado. Desconhecíamos, de todo, o projeto do atual Presidente da Câmara Municipal, no âmbito da sua recandidatura, pelo que só podemos concluir que ele não existia ou não era para ser apresentado e discutido com os demais elementos da lista de candidatos;

5. Importa deixar claro, de forma inequívoca, que o PS/Terceira foi, por nós, atempadamente informado do modus operandi do então recandidato à presidência da Autarquia, das dificuldades de comunicação e da forma autocrata como todos os processos relativos à elaboração das listas de candidatos e ao programa político estavam a ser diligenciados. O PS Terceira, por motivos que desconhecemos, optou por não intervir, de forma preventiva ou corretiva, não adotando outras posições em defesa do seu bom nome e daqueles que com ele aceitam participar em causas de serviço público;

6. Não podemos deixar de lamentar que as dificuldades sentidas na resolução de um problema pessoal (de caráter partidário) tenha resvalado para vinganças pessoais (de caráter municipal) misturando o que não deve, nem pode ser misturado, pois ao adotar as posições que assumiu, coloca em causa o normal funcionamento do Município da Praia da Vitória, numa atitude que denota falta de respeito pelos cidadãos Praienses;

7. Dada a situação, e no quadro legal vigente que nos é conferido, por uma questão de princípios e de valores dos quais jamais nos desviaremos um milímetro, compete-nos informar todos os cidadãos Praienses que, com efeitos a 12 de julho de 2021, abdicaremos da totalidade do nosso vencimento como Vereadores a tempo inteiro;

8. Não fomos eleitos pelo cargo, pelo salário ou pela posição social. Fomos eleitos para servir os Praienses. Assim, continuaremos a participar, ativamente, nas reuniões de Câmara e, com isso, respeitando incondicionalmente o voto que nos foi confiado pelos Praienses, lutando por eles até ao último dia do nosso mandato.

Reposta a verdade, é este o nosso compromisso!

Praia da Vitória, 16 de julho de 2021.
Os Vereadores,
Carlos Armando Costa
Tiago Ormonde
Raquel Borges”

NE: Praia Expresso no exercício da pluralidade que norteia a sua orientação editorial, optou, ao invés de uma síntese jornalística, pela publicação na íntegra deste comunicado, para que cada praiense retire as suas próprias conclusões, cumprindo com aquela que é a nossa verdadeira missão: a descoberta da verdade.

© PE

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