MERCADO INTERNO

Rui Martins

Não há mercado interno sem uma rede e uma política de transportes adequada, eficaz e eficiente na Região Autónoma dos Açores.

Neste particular, há bem mais de 10 anos que o CDS defende que se aprofunde o conhecimento das necessidades e por sua vez se construam soluções que deem resposta às necessidades dos produtores e empresários locais e sejam a resposta à viabilização do mercado interno. Daí as propostas para estudo sobre o Modelo de Transporte Marítimo de carga e da viabilidade da aquisição ou implementação de um avião cargueiro.

Desta feita vou centrar esta coluna no transporte aéreo de mercadorias.

A aposta num mercado interno será potenciadora da produção de hortofrutícolas, e na valorização dos produtos da pesca.

Os hortofrutícolas veem o seu valor sempre associado à frescura. A realidade é que temos capacidade e potencial para a produção destes produtos, e na grande maioria das vezes, produtos de maior qualidade nutricional. Dou como exemplo a meloa de Santa Maria. Esta meloa, para lá do facto de poder ser colhida já no seu auge de maturação tendo por isso um maior teor de açucares naturais, ao invés da fruta que é colhida verde para suportar os longos períodos de transporte, tem também índices mais elevados de Vitamina C e minerais como Magnésio, Potássio e Cálcio.

O pescado, uma vez que o maior valor acrescentado é conseguido no exterior da Região, é necessário trazê-lo de onde se encontre para o local onde mais rapidamente tenha possibilidade de sair para esses mercados. Há por isso todo o interesse em fazer chegar o pescado, mas não só, em tempo útil a todo o arquipélago, seja para consumo local, seja para exportação.

Considero que este assunto será consensual, pese embora a má vontade que sempre persistiu no passado em estudar estas possibilidades, ou, se foi estudado, em publicar esses dados.

Custa-me, por isso, que pessoas com responsabilidades editoriais na comunicação social regional, vestindo a pele de “opinion makers” em espaços televisivos falem de forma pouco informada acerca da existência ou não de um mercado interno para a carga aérea.

Estas pessoas deviam saber que foi a própria SATA, no processo de concepção do plano de restruturação apresentado a Bruxelas já este ano, que na análise do mercado de carga aérea para o exterior da Região se apercebeu que a verdadeira oportunidade de negócio residia na carga aérea inter-ilhas, tendo até contemplado no plano a aquisição de um avião cargueiro ou conversão de uma aeronave para esse propósito.

Ora, se é a própria empresa, que numa lógica de revitalização chegou a esta conclusão e vai avançar nesse sentido, por que motivo não falam estes jornalistas, fazedores de opinião, neste facto? Por que motivo se perguntam se fará sentido adquirir um avião, quando surgiu nova informação?

O CDS defendia que se estudasse a aquisição do avião-cargueiro numa altura em que a empresa de bandeira da Região, por si, não iria fazer essa aposta. A partir do momento em que é a empresa que, fora de qualquer agenda partidária, aponta para esse rumo como uma solução viável, para o CDS é a prova de que valia a pena olhar com atenção para este ramo de negócio.

Associado às políticas de diversificação agrícola na Região, aos objectivos de maior autossuficiência alimentar e à valorização dos produtos regionais, o eficiente e eficaz transporte de mercadorias na Região, será o factor que poderá fazer descolar o tão desejado mercado interno.

Da nossa parte há e sempre existiu essa visão e essa vontade política!

Rui Martins
Deputado na ALRAA pelo CDS-PP/Açores

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