DIA DOS AÇORES COM CERIMÓNIA SIMPLIFICADA, MAS AMPLA NA PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA

Nesta segunda-feira após o domingo de Pentecoste, assinala-se o Dia da Região Autónoma dos Açores. A Assembleia Legislativa reuniu-se em sessão solene evocativa da ocasião, numa cerimónia simplificada face aos anos anteriores, imposta por este atípico tempo de pandemia, mas ampla na participação e sentido democrático. Pela primeira vez, na história destas comemorações, todos os partidos que representam o povo açoriano no parlamento regional, puderam se pronunciar e desta forma expressar as suas interpretações e expetativas sobre autonomia política e administrativa do arquipélago, constitucionalmente reconhecida e consagrada.

Desse modo, Pedro Neves, da representação parlamentar do PAN, alertou para “encruzilhada” deste tempo, de uma luta contra a pandemia, que “parece não ter fim”, mas também para outra “encruzilhada entre a consciência indivisível da coesão açoriana e a sobranceria do aproveitamento separatista”, numa ideia engenhosa de que “estamos sozinhos e que cada ilha olhe por si”. Para o deputado do PAN, só caminhando juntos e aliados nas mesmas causas, os açorianos estarão preparados e mais fortes para vencer as incertezas do futuro, defendendo “o sacrifício do passado, a democracia do presente e a esperança do futuro”.

Nuno Barata, da representação parlamentar da Iniciativa Liberal, defendeu que o aprofundamento da autonomia faz-se com a participação de todos, preservando as diferenças que afirmam os açorianos como povo.

“É nas nossas diferenças que nos afirmamos como povo, é nas nossas idiossincrasias que nos reunimos como comunidade política, é nas nossas ambições e apetites geográficos que afirmamos a nossa união, é no amor que detemos ás nossas ilhas que reiteramos as nossas reivindicações, somos tanto melhor Açores quanto mais diversificada for a nossa cultura, a nossa produção de pensamento político e as nossas tradições comuns sejam preservadas”, afirmou.

Paulo Estêvão, líder do grupo parlamentar do PPM defendeu que é “urgente” reformar a autonomia, porque critérios “administrativos ou de soberania” nunca mais se deverão “sobrepor ao dever sagrado de salvar vidas açorianas”.

Tendo como pano fundo a crise pandémica, Paulo Estêvão afirmou que agora é “tempo de reconstruir”, mas também de tirar lições para o futuro.

“A solidariedade do Estado português e da União Europeia não chegou nos piores momentos desta crise. Quando foi mais imprescindível e urgente”. E acrescentou, “da próxima vez — e existe sempre uma próxima vez — a nossa autonomia e capacidade de resposta têm de ser incomparavelmente superiores”.

António Lima, líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, quer uma autonomia solidária que honre o espírito do dia escolhido para a sua celebração, e que rejeite não só os centralismos clássicos, mas também os que acumulam “poder nalgumas elites” negando “a superação das desigualdades”.

António Lima defende que autonomia dos Açores não se pode ficar pelo que conquistou, nem pelos progressos alcançados, e deve dar respostas aos problemas concretos das pessoas, porque um “sistema político, sem a política para os problemas concretos, não garante nem soluções nem desenvolvimento”.

António Lima interpreta uma autonomia em que os açorianos estejam unidos na solidariedade, rejeitando “preconceitos”, por quem mais dela precisa, a cada momento, como neste tempo de pandemia que aprofunda “as desigualdades pré-existentes”.

Carlos Furtado, líder parlamentar do Chega, defendeu que é preciso honrar a herança dos antepassados que contruíram a identidade açoriana, nestes novos tempos que trazem novos desafios, corrigindo assimetrias sociais e intergeracionais, fazendo o “voo do açor” chegar mais longe.

“À nossa geração caberá a difícil tarefa de corrigir as assimetrias sociais e intergeracionais existentes e traçar um rumo novo, mais responsável e abrangente. Mais capaz, mais capacitante, mais protetor dos nossos bens maiores, a nossa terra e os nossos valores, porque só assim o voo do açor chegará mais longe”, disse

Catarina Cabeceiras, líder parlamentar do CDS-PP, defendeu que a melhoria de vida dos açorianos é uma conquista inegável da autonomia, sendo que a autonomia, não é um ponto de chegada, mas sim de partida.

“O desenvolvimento económico e social, a melhoria de vida dos açorianos, são além de uma questão de justiça elementar, uma conquista inegável da nossa autonomia democrática”, afirmou.

Para Catarina Cabeceiras na afirmação da autonomia todos estão convocados, cidadãos, parlamento, Governo, quem a representa na República. E acrescenta, “nunca podemos nos esquecer que a nossa autonomia não é o ponto de chegada, mas sim o ponto de partida”.

Pedro Nascimento Cabral, líder do grupo parlamentar do PSD, salientou o espírito democrático dos presidentes da Assembleia e do Governo, no novo figurino escolhido para a comemoração do Dia dos Açores, permitindo que todos os partidos participassem.

“Pela primeira vez na história da nossa autonomia, todos os partidos políticos com assento parlamentar foram convidados a participar com uma comunicação de tribuna dirigida ao Povo dos Açores. O sentido democrático do Presidente da Assembleia Legislativa e do Presidente do Governo Regional merece ficar registado perante todos nós”, afirmou.

Pedro do Nascimento Cabral, destacou também o “papel fundamental” que a Assembleia Legislativa dos Açores assume no atual contexto que a Região vive, tendo o Parlamento passado a ser, após as eleições legislativas regionais de 2020, “o centro da vida política açoriana”.

Marta Matos, em representação do grupo parlamentar do PS, defendeu que deverá ser promovida “uma cidadania autonomista, chamando os açorianos a participar na definição do futuro da nossa terra”.

Considerando que a Autonomia só existe “em função da sua capacidade de dar resposta aos desafios com que o Povo Açoriano é confrontado e quer vencer”, Marta Matos, defendeu que é preciso “recuperar e manter o inconformismo e a ambição dos que a lançaram”, que é preciso “alargar os nossos horizontes, renovar os nossos objetivos e ampliar a nossa capacidade de intervenção” e é necessário “promover uma cidadania autonomista, chamando os açorianos a participar na definição do futuro da nossa terra”.

Marta Matos destacou a importância de construir a “Autonomia do futuro”, mas apelou à união e coesão entre todos para esse desígnio: “Que o façamos juntos! Com a solidariedade entre todas as nossas ilhas. Com os sotaques, os sabores e as tradições de cada uma. Com a bruma que nos envolve. Como o mar que nos separa e nos une. Com a consciência coletiva da nossa Região. Dessa forma, prestaremos a justa homenagem aos nossos pais e avós. Deixaremos a melhor herança aos nossos filhos”.

© PE | Foto: DR

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s