ARTUR LIMA: “O CDS APRESENTA-SE A ESTAS ELEIÇÕES COM TRABALHO FEITO”

O presidente do CDS/Açores e cabeça de lista pela ilha Terceira às próximas eleições legislativas regionais, Artur Lima, afirma que o CDS é o partido que mais tem levantado a voz para defender a Terceira e os terceirenses, enquanto outros nada dizem, num modelo de governação socialista, assento na teoria de “polos de crescimento” que conduz à concentração do investimento, agravando as diferenças nas ilhas e fazendo da “coesão apenas um chavão”.

Sobre o serviço de radioterapia na ilha Terceira, Artur Lima considera “inadmissível que seja uma empresa privada a determinar quais os cuidados de saúde a que os terceirenses têm direito”, depois de tantas promessas socialista. Quanto ao terminal de cruzeiros na Praia da Vitória, para o líder centrista esta reivindicação enquadra-se na defesa que o partido tem feito de mais e melhores acessibilidades para a ilha, a par de uma maior centralização no aeroporto das Lajes.

Para Artur Lima nestas eleições “está em causa o presente e o futuro” dos Açores. Trata-se de escolher, afirma, entre continuar “na cauda da coesão social nacional” ou investir em novas e melhores políticas, com o CDS a apresentar proposta de novas políticas para a educação, saúde, transportes e acessibilidade, ambiente e sustentabilidade, agricultura, pescas e turismo, para a ilha e para os Açores.

Praia Expresso (PE) — Nas últimas legislativas regionais, em 2016, o CDS-PP obteve na ilha Terceira 2.182 votos, 10,13%, tendo eleito um deputado. Quais são as metas para estas legislativas?
Artur Lima (AL) — O CDS apresenta-se a estas eleições com trabalho feito. Os Terceirenses sabem que ao longo desta legislatura tiveram no CDS uma voz que nunca abdicou de defender a Terceira e os Terceirenses. Estamos, por isso, convictos que os nossos candidatos vão merecer novamente a confiança de todos aqueles que votaram em nós em 2016 e estamos certos de que muitos reconhecem hoje, também, que o CDS é a escolha certa na defesa dos Terceirenses e no dia 25 vão dar mais força ao CDS. Creio que os Terceirenses merecem ter mais deputados do CDS, como o Alonso Miguel e a Andreia Vasconcelos, que são dois jovens terceirenses com provas dadas e que muito têm para oferecer à nossa terra.

PE — Quais são as principais propostas da sua candidatura para a ilha Terceira?
AL — Para o CDS a saúde é um direito de todos os Açorianos e o CDS não baixará os braços até que os Terceirenses tenham essa garantia e, nesse sentido, consideramos fundamental que se reforce o quadro de pessoal médico, de enfermagem e de auxiliares de ação médica no Hospital da ilha Terceira, que se implemente o Enfermeiro de Família, que todos tenham médico de família, bem como consideramos fundamental que se invista numa prestação efetiva de cuidados continuados e paliativos. Relativamente aos transportes e acessibilidades, não desistimos da valorização da centralidade do Aeroporto das Lajes, da instalação da base operacional da SATA Internacional nas Lajes e na potencialização do Porto da Praia da Vitória. No que concerne ao ambiente e sustentabilidade, o CDS não se conformará enquanto não se proceder à descontaminação dos solos e aquíferos da Praia da Vitória e consideramos essencial criar o Centro de Estudo e Mitigação das Alterações Climáticas Globais e apostar nas energias renováveis, dando valor ao potencial geotérmico da Terceira. Na agricultura, consideramos imprescindível incentivar a criação de novas empresas que contribuam para a diversificação agrícola, tanto na produção como na transformação, e defenderemos, intransigentemente, a qualidade do nosso leite, propondo a proibição da estabulação permanente de gado na Terceira. Nas pescas, queremos que os nossos pescadores possam desenvolver a sua atividade com mais formação e capacitação, assim como consideramos essencial apostar na aquicultura e captar oportunidades de negócio nesta área. Ao nível do turismo, queremos que a construção do Cais de Cruzeiros da Terceira não continue a ser uma promessa em cada eleição, queremos promover o mergulho no parque arqueológico subaquático da baía de Angra do Heroísmo como experiência turística diferenciada, bem como queremos apoiar a exploração do potencial espeleológico e a abertura ao público de mais grutas vulcânicas existentes na Terceira.

PE — Que avaliação faz do estado atual de desenvolvimento da ilha Terceira no contexto da economia regional. Entende que estão a ser exploradas todas as potencialidades da ilha?
AL — A ilha Terceira tem sido esquecida pelo investimento dos governos socialistas e tem sido esquecida pelo maior partido da oposição que se resigna e confina, no parlamento, sem apresentar soluções para os problemas. Tem sido no CDS que os Terceirenses encontram quem denuncia a evidência: este modelo de desenvolvimento centralista não potencializa o desenvolvimento das nossas ilhas e faz da coesão apenas um chavão, que não tem a mínima correspondência com qualquer estudo ou analise que se debruce sobre o nosso desenvolvimento económico e social. É tempo de reconhecer que o modelo de desenvolvimento que se adotou na Região, não responde ao presente e é incapaz de nos conduzir ao desenvolvimento sustentável das nossas ilhas. A teoria dos polos de crescimento que este governo continua a sustentar, conduz à concentração do investimento, agrava as diferenças entre as nossas ilhas e contribui para uma periferia interna cada vez mais visível que estagna e declina a economia de muitas das nossas ilhas, e isso não pode continuar.

PE — Em tempo de pandemia é inevitável falar de saúde. Como avalia a ação do Governo neste domínio? O que teria feito de forma diferente se fosse Governo? Quais as insuficiências do Serviço Regional de Saúde nesta ilha? Como as resolveria? E qual a posição da sua candidatura relativamente ao serviço de radioterapia no hospital da ilha Terceira?
AL — O CDS, durante o tempo de exceção que vivemos e perante um inimigo comum que enfrentamos, esteve sempre, na primeira linha da defesa da Região e dos Açorianos. Fomos uma oposição solidária com as medidas de contingência que o Governo adotou enquanto primeiro responsável pela proteção civil regional e propusemos a testagem dos nossos lares de idosos que foi aprovada por unanimidade, assim como sempre defendemos que devemos concentrar esforços na deteção precoce da contaminação, através da testagem em massa, como por exemplo na comunidade escolar, de forma a combatermos mais eficazmente qualquer propagação, diminuindo assim a incerteza de cada um, e aumentarmos a confiança das populações nas medidas implementadas.
Quanto às insuficiências do Serviço Regional de Saúde, o CDS tem vindo ao longo de várias legislaturas a enunciá-las e creio que é inadmissível que os Terceirenses não tenham ainda médico de família, que o nosso hospital tenha falta de médicos especialistas e que uma empresa privada afirme, depois de tantas promessas socialistas, que a radioterapia não existirá na ilha Terceira em nome da casuística. É inadmissível que seja uma empresa privada a determinar quais os cuidados de saúde a que os Terceirenses têm direito. É inadmissível que o governo se demita da sua função.

PE — Boas acessibilidades são essenciais para o desenvolvimento de qualquer sector da atividade económica. Como vê as acessibilidades à ilha Terceira? No seu entender o que deve ser melhorado? E qual o entendimento da sua candidatura no que diz respeito à construção de um terminal de cruzeiros e navegação inter-ilhas na Praia da Vitória?
AL — O CDS é o partido que mais tem levantado a voz para defender mais e melhores acessibilidades para a nossa ilha. Não é de agora. Temos procurado ao longo dos anos que a Terceira não seja esquecida enquanto outros nada disseram. É por isso que defendemos mais centralidade para o Aeroporto das Lajes, é por isso que sempre reivindicamos o Terminal de Cruzeiros na Praia da Vitória.

PE — Nas últimas regionais mais de metade (58,90%) dos eleitores inscritos no círculo eleitoral da Terceira não votaram. O que tem a dizer a estes eleitores em particular, para os levar a votar, e a todos, em geral, para os convencer a votar na lista que encabeça?
AL — Está em causa o presente e o futuro da nossa Região e é preciso que todos tenhamos a consciência da importância destas eleições. Temos de escolher se continuamos na cauda da coesão social nacional, ou investimos mais e melhor em políticas de apoio à natalidade, de combate à pobreza e de proteção aos nossos idosos. Temos de escolher se consideramos a saúde um direito de todos e garantimos o acesso atempado aos cuidados de saúde, ou se continuamos sem responder eficazmente aos nossos doentes. Temos de escolher de colocamos a educação no centro da nossa ação política, em prol da construção do nosso futuro, ou se continuamos sem inverter as elevadas taxas de abandono escolar. Temos de escolher se queremos mais e melhor emprego, ou se continuamos a ter políticas públicas que promovem a precariedade. São escolhas como estas que teremos que fazer, no próximo dia 25 de outubro. Ou construímos uma autonomia mais forte, mais justa e mais solidária, que seja capaz de se refletir na melhoria da qualidade de vida de todos os Açorianos, ou continuamos a comprometer e a hipotecar o futuro.

© PE | Foto: GC-CDS-PP

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