ORLANDO LIMA: PROMESSA DE CAIS DE CRUZEIROS NA PRAIA DA VITÓRIA “É RIDÍCULA E ABSOLUTAMENTE DESONESTA”

O cabeça de lista do CHEGA pela ilha Terceira às eleições legislativas dos Açores do próximo dia 25 de outubro, Orlando Lima, considera uma “falácia” a promessa de construção de um cais de cruzeiros no molhe norte da baía da Praia da Vitória. Para Orlando Lima, Vasco Cordeiro oferece “aquilo que é dos outros”, quando todos sabem que “os americanos nunca abrirão mão” do seu porto militar de abastecimento de combustíveis, que a par de Guam constitui a maior reserva de combustíveis norte-americano fora do seu território.

Nesta entrevista, o cabeça de lista do CHEGA assume como principal bandeira da sua candidatura a descontaminação da ilha, razão dos principais problemas de saúde na Terceira. A abertura do serviço de radioterapia no hospital da ilha, a criação de uma plataforma logística internacional no porto da Praia da Vitória e a implementação do GNL. Um cais de cruzeiros de grandes dimensões no Porto das Pipas, em Angra do Heroísmo e muitas outras medidas no âmbito da Educação, Saúde, Acessibilidades e Fiscalidade.

Praia Expresso (PE) — Esta é a primeira vez que o CHEGA concorre às eleições Legislativas Regionais nos Açores e na ilha Terceira. Quais são as metas do partido para estas legislativas?
Orlando Lima (OL) — O CHEGA sendo um partido recém criado na Região e com um pouco mais de um ano e meio, desde a sua formação por André Ventura, é uma força incontornável nesta eleição. As sondagens posicionam-nos como a terceira força política, também na Região, o que é uma enorme responsabilidade. Com a nossa idade e no contexto de asfixia democrática em que vivemos, elegermos um deputado será uma vitória. Com o apoio que encontramos nas redes sociais e na rua, pensamos que os Açorianos e nomeadamente os Terceirenses entenderam a nossa mensagem e cofiam nos nossos candidatos, pelo que iremos em muito superar as nossas expectativas.

PE — Quais são as principais propostas da sua candidatura para a ilha Terceira?
OL — Coloco como todos sabem a contaminação da ilha Terceira no topo das minhas prioridades. Muito do que nos é mais caro, está ligado a este problema. A Saúde é o bem mais importante para a nossa população, e muitos dos problemas de saúde que nós vivemos na nossa ilha, e note-se que não é só na Praia da Vitória, têm por base razões ambientais:
É a interrupção imediata de água contaminada às populações;
A recuperação e abertura da radioterapia na ilha Terceira;
Implementar a obrigatoriedade de diagnóstico diferenciado a todos os Terceirenses. Nós temos problemas de saúde particularmente graves por via da mencionada contaminação e é-nos devida uma saúde preventiva. Não é favor;
O investimento urgente nos cuidados primários de saúde, prevenindo as doenças antes delas se tornarem crónicas e assim incuráveis. É assim que se faz no mundo civilizado. Nos Açores temos uma saúde de terceiro mundo. Morre-se mais aqui do que no todo Nacional, e mais na Terceira do que em São Miguel, por exemplo;
É assegurar a todas as famílias, médico, enfermeiro e psicólogo de família e em tempo útil. Não podemos ter médicos de família com 1900 pacientes. Assim não vamos lá;
Temos de assegurar a contratação e formação de especialistas, reduzindo as listas de espera e preparando a reforma dos nossos profissionais de saúde;
Temos de trabalhar no sentido de proporcionarmos aos utentes o chamado cheque de saúde, que nos permitirá escolhermos onde queremos ser tratados, no público ou no privado, acabando com a saúde para ricos e a saúde para pobres.
E temos a necessária descontaminação. Este é uma tarefa gigantesca. Temos mecanismos legais para obrigar o poluidor a assumir as suas responsabilidades e anda tanto o Governo da República como o Governo Regional, a fazer de conta, para ver se passam por entre os pingos da chuva. Mas comigo e com o CHEGA, não! É uma necessidade imperiosa que trará muito trabalho, especializado e não especializado à ilha Terceira. É, apesar do infortúnio, uma fonte de riqueza, na ordem dos muitos milhares de milhões de euros, por um universo temporal superior a 50 anos.
Nós com isto, e em compensação dos malefícios a que estamos sujeitos, exigimos compensação fiscal. Isenção de IVA e redução de impostos em 50% para a ilha Terceira não é favor. É a única forma de compensar este povo que sofre em silêncio.
É a criação da plataforma logística internacional no porto comercial da Praia da Vitória e lutar pelo parque de gás natural liquefeito, GNL.
É a interrupção da obra do “cais de coisa nenhuma” que os “Judas” desta terra estão a levar a efeito no Porto de Angra e a sua imediata adaptação a um cais de grandes dimensões, pelas razões já tornadas públicas. Aqui como em tudo, os socialistas capitalizam da ignorância e da mentira. Prometem um cais de cruzeiro, no cais militar norte-americano, sabendo que para a execução da missão militar a que se destina, tal nunca será permitido. Falsos!
A SATA tem de ser reorganizada e adaptada a um conceito “Low Cost”, com tarifas apoiadas de baixo custo que permita e promova a circulação dos Açorianos dentro do Arquipélago. É só ver o que se faz nas vizinhas Canárias. Não é preciso inventar.
Precisamos potenciar e valorizar o mercado transacionável, entre as ilhas dos grupos Central e Ocidental.
Lutamos pela implementação generalizada da “Escola Moderna”, na luta contra o insucesso escolar e por uma sociedade mais interventiva e preparada.
Lutamos por uma justiça para todos. Não queremos uma justiça para ricos e outra para pobres.
Combatemos sem tréguas a corrupção, o tráfico de influências, o compadrio e o nepotismo, flagelo que mina a nossa sociedade.
Estamos ao lado das forças da ordem e de todos aqueles que estruturam a nossa segurança, a nossa sociedade.
Somos partido que protege e se preocupa de igual forma com todos os que trabalham e lutam de forma heroica para sobreviver mais um dia.

PE — Que avaliação faz do estado atual de desenvolvimento da ilha Terceira no contexto da economia regional. Entende que estão a ser exploradas todas as potencialidades da ilha?
OL — A ilha Terceira é uma ilha abandonada. Não só estagnou no tempo nos últimos 24 anos de governação socialista, como regrediu. Se temos uma agricultura de subsistência, temos uma pesca de sobrevivência. Os mercados mundiais de excelência estão lá. Não entendo a curta visão e limitação dos agentes políticos que têm a obrigação de ser os catalisadores destes negócios. Temos de apostar na transformação dos nossos produtos, e com isso na sua valorização em elevado valor acrescentado.

PE — Em tempo de pandemia é inevitável falar de saúde. Como avalia a ação do Governo neste domínio? O que teria feito de forma diferente se fosse Governo? Quais as insuficiências do Serviço Regional de Saúde na ilha? Como as resolveria? E qual a posição da sua candidatura relativamente ao serviço de radioterapia no hospital da ilha Terceira?
OL — Considero que a resposta à COVID-19 foi desastrosa. Num primeiro momento fui a favor de se isolarem os Açores. Nunca as ilhas. Nunca as atividades, nunca os negócios. Não tínhamos cadeias de transmissão, não tínhamos casos ativos e tudo permaneceu parado. Esta foi uma estratégia sem escrúpulos do governo socialista, com o único objetivo de baixar o PIB Regional e com isso ter acesso aos dinheirinhos da Europa. 70% ficam no Estado, 30% vão para as empresas, é distribuído pelos amigos, uns balões de oxigénio para alguns, e no final só os amigos ficaram mais ricos. No fim, vão às empresas e retiram imposto deste dinheiro que não foi necessariamente lucro e capitalizam mais 10%. Ficam afinal com 80%. É roubo. Todos nós perdemos! Só nas touradas a Terceira perdeu 5 Milhões de euros, que não entraram nas famílias. Já temos fome.
Quanto à radioterapia e saúde, penso já ter respondido ao apresentar as nossas bandeiras.

PE — Boas acessibilidades são essenciais para o desenvolvimento de qualquer sector da atividade económica. Como vê as acessibilidades à ilha Terceira? No seu entender o que deve ser melhorado? E qual o entendimento da sua candidatura no que diz respeito à construção de um terminal de cruzeiros e navegação interilhas na Praia da Vitória?

OL — Tal como no caso anterior, sendo excelentes perguntas, assentam no âmago das nossas preocupações, encontrando-se respondidas na descrição anterior das nossas causas, das nossas lutas. Não consigo deixar no entanto de reiterar a falácia que considero ser a promessa feita por Vasco Cordeiro para o cais de cruzeiro na Praia da Vitória. Oferecer aquilo que é dos outros, e que todos os agentes políticos sabem que os americanos nunca abrirão mão, por ser o seu porto militar de abastecimento de combustíveis, àquela que conjuntamente com Guam, são as maiores reservas de combustível norte-americanas fora do seu território. O partido socialista fá-lo por desonestidade intrínseca. Os restantes partidos da oposição que o fazem, poderão ser “Maria vai com as outras”, igualmente oportunistas, ou completamente acéfalos, o que é uma possibilidade. É uma proposta ridícula e absolutamente desonesta no nosso entender. A Praia deverá albergar um grande porto comercial com plataforma logística intercontinental e Angra um grande porto de cruzeiros. Ambas as cidades apresentam excelentes potenciais em cada uma destas valências.

PE — Nas últimas Regionais mais de metade (58,90%) dos eleitores inscritos no círculo eleitoral da Terceira não votaram. O que tem a dizer a estes eleitores em particular, para os levar a votar, e a todos, em geral, para os convencer a votar na lista que encabeça?
OL — A abstenção é um flagelo democrático que nós compreendemos, combatemos, embora entendamos as suas origens. É resultado por um lado do grande analfabetismo político e económico existente, temos de reconhecer as coisas como elas são. Por outro, do absoluto descrédito em que caiu a classe politica. Temos um PS que no meu entender são uma cambada de trapaceiros, velhacos inqualificáveis com pele de “Cordeiro”. Um PSD que oscila conforme as clientelas e as conveniências. Um CDS que embrulha num papelinho bonito uns ossos secos que o PS lhe dispensa, depois atira uns foguetes e faz a festa. Os restantes partidos nem contam.
O CHEGA apresenta-se a eleições com gente descomprometida e empenhada. Motivado por melhorar o atual estado de coisas, falando sempre a verdade. Somos os que trabalham, os que se esforçam, os que criam emprego. Os que respeitam o esforço das famílias, a sua importância, cultura e tradições.
Não somos profissionais da política, e temos todos provas dadas na nossa entrega a causas, não a coisas.
À medida que os Terceirenses e os Açorianos nos forem conhecendo, a nós e ao nosso trabalho, estou convicto que se reverão no CHEGA, e no seu projeto transformador. Acima de tudo na nossa clareza e honestidade.
É porque CHEGA que somos CHEGA, e isto os Açorianos reconhecem.

© PE

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