DINARTE PIMENTEL: SERVIÇO DE RADIOTERAPIA “É UMA FALTA DE RESPEITO DESTE GOVERNO SOCIALISTA A TODOS OS TERECEIRENSES”

O cabeça de lista do PAN — Pessoas, Animais e Natureza, Dinarte Pimentel, pelo círculo eleitoral da Terceira às eleições legislativas dos Açores do próximo dia 25 de outubro, garante, que se o partido tiver representação parlamentar, irá fazer todos os possíveis para que o Centro de Radioterapia do Hospital da ilha Terceira seja desbloqueado, a bem de todos os açorianos.

Nesta entrevista, Dinarte Pimentel, defende ainda uma economia menos dependente da pecuária e mais centrada na diversificação agrícola, para reduzir o peso das importações que passaram de 62%, em 2016, para 80% em 2020.

Acreditando no eventual potencial de desenvolvimento para a Praia da Vitória, para a ilha Terceira e para os Açores da construção de um terminal de cruzeiros e navegação interilhas na cidade de Nemésio, para o candidato do PAN, o “estado calamitoso” das finanças regionais e a estagnação da atividade turística, para já, não justificam tal investimento, devendo o mesmo ser ponderado a médio e longo prazo.

Praia Expresso (PE) — Nas últimas legislativas regionais, em 2016, o PAN obteve na ilha Terceira 240 votos, 1,11%. Quais são as metas do partido para estas legislativas?
Dinarte Pimentel (DP) — A principal meta do PAN para estas legislativas é ter representação parlamentar na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Quanto ao número de deputados, isso cabe ao povo decidir. O PAN tem um projeto e um ideal de futuro para a ilha Terceira. Idealizamos um futuro melhor, para o bem de tudo e de todos: as Pessoas, os Animais e a Natureza. Queremos que a população da ilha Terceira seja chamada a participar democraticamente no nosso projeto, votando no PAN e para isso, nesta fase, é a nossa função fazer perceber aos terceirenses que o caminho que o PAN quer trilhar é o mais adequado.
Mas se me permite, uma outra meta que desejamos alcançar será também a de se evitar que quem governa os Açores há demasiado tempo tenha, mais uma vez, a maioria absoluta.

PE — Quais são as principais propostas da sua candidatura para a ilha Terceira?
DP — Os Açores são um só território e nestas eleições regionais o programa eleitoral do PAN tem respostas para o arquipélago como um só, respeitando, claro, a especificidade e necessidades de cada ilha. A visão unificadora do PAN não deixa para trás nenhuma ilha no acesso à Saúde, um direito universal que deve constituir-se como um pilar da coesão regional, na procura do equilíbrio da justiça social, educação inclusiva e habitação acessível para todos e uma muito maior proteção animal. Entre as nossas principais medidas, destacamos a criação de políticas agrícolas que nos levem a atingir a autossuficiência alimentar, a criação de empregos, a criação de um programa eficaz para fixação de médicos especialistas e redução efetiva das listas de espera, o fim do abate de animais de companhia para 2021, criação da figura do Provedor Regional dos Animais, a criação da Polícia Regional Açoriana, criação da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, garantir a autossuficiência energética limpa até 2026, criação de uma rede de hospitais veterinários públicos.

PE — Que avaliação faz do estado atual de desenvolvimento da ilha Terceira no contexto da economia regional. Entende que estão a ser exploradas todas as potencialidades da ilha?
DP — A economia, neste momento está muito fragilizada, tendo piorado com a Pandemia, e para o PAN/Açores, a Terceira tem de apostar na produção e no consumo locais e a diversificação da agricultura tem de ser o caminho. Apostar nos hortícolas e frutícolas, retirando a exclusividade do investimento na pecuária, é para o PAN/Açores a única forma de conseguirmos uma verdadeira independência e autossuficiência alimentar e de equilibramos a nossa balança comercial, além de garantirmos que consumimos o que é nosso, produtos de enorme qualidade. O Governo Regional tem falhado nesta matéria, como evidenciam os números: durante esta legislatura, as importações aumentaram exponencialmente, de 62% em 2016 para 80% em 2020, desregulando a balança comercial dos Açores, o que só fragiliza a nossa economia regional. Existe também uma oportunidade única para que a Terceira se afirme como protagonista no futuro energético limpo a nível europeu e seja um exemplo de boas-práticas a nível mundial, com a entrada no Projeto IANOS, que será testado na ilha e que os resultados na sua executabilidade irá trazer empregos verdes para dar resposta às novas infraestruturas. Dever-se-á retomar a atividade turística, mas num turismo de maior qualidade e sustentabilidade, como por exemplo o Eco-turismo, onde, aliado à retoma da atividade económica, deverá ter-se sempre em conta a proteção do ambiente, que deve ser sempre a nossa mais-valia. Para nós, estes são os setores que deverão alavancar a nossa economia e permitir a criação de outras atividades económicas e mais empregos.

PE — Em tempo de pandemia é inevitável falar de saúde. Como avalia a ação do Governo neste domínio? O que teria feito de forma diferente se fosse Governo? Quais as insuficiências do Serviço Regional de Saúde nesta ilha? Como as resolveria? E qual a posição da sua candidatura relativamente ao serviço de radioterapia no hospital da ilha Terceira?
DP — Em relação à primeira parte da pergunta, este é um assunto delicado. A Covid-19 é, de facto, uma doença mortal, em especial na população mais idosa e fragilizada. Infelizmente tivemos algumas situações na região que comprovam isso mesmo. Não vamos falar em relação a medidas de prevenção, proteção e contenção, em concreto. Cometeram-se alguns erros, é verdade, que esperamos que possam ter servido para se aprender com eles. Ninguém estava à espera de uma pandemia desta natureza e dimensão. Nem mesmo a OMS, que também cometeu os seus erros.
No entanto, consideramos que o Governo Regional não está isento de culpas em toda a linha. O principal erro e crítica que queremos apontar, e que ainda persiste, é a quase completa desproteção que a população teve e continua a ter em todas as restantes situações de doenças não Covid. Não se morre só de Covid. Aliás, existem outras doenças que matam mais do que a Covid, como por exemplo as doenças cardiovasculares, os cancros, entre outras. Não é aceitável que se tenha atrasado, ou mesmo impedido o acesso atempado a muito outros doentes para a realização de consultas e atos médicos. Está-se a engrossar ainda mais listas e tempos de espera para níveis inconcebíveis. Mais grave é que existe uma grande faixa da população que não tem outra alternativa que não seja aceder ao serviço público de saúde. Essa faixa da população, e não são poucos, podem morrer por complicações associadas ao não tratamento atempado e toda a gente sabe disto, incluindo o Governo Regional. Existem também muitos casos de pessoas que, no desespero da sua doença, pagam uma fortuna nos médicos e clínicas privadas para resolverem o seu problema de saúde. Pedem dinheiro emprestado ou levam as suas pensões ou ordenados ao limite do aceitável. A Região tem condições para que se realizarem consultas e atos médicos de uma forma mais célere. E se não as tem, que se criem. É para isso que pagamos os nossos impostos.
Em relação ao Centro de radioterapia na ilha Terceira, este é única e exclusivamente um problema político e é uma falta de respeito, por parte deste governo socialista a todos os terceirenses, aos habitantes dos grupos central e ocidental que poderiam usufruir deste serviço de tratamento de uma doença muito séria. É também uma falta de respeito para com todos os açorianos que, com o dinheiro dos seus impostos, foi já comprado o equipamento e instalado no hospital de Santo Espírito, e, no entanto, o serviço não arranca para usufruto dos cidadãos. Esta deve ser uma prioridade do próximo elenco parlamentar. O PAN, caso tenha representação parlamentar irá fazer os todos os possíveis para que esta situação seja desbloqueada, a bem de todos.

PE — Boas acessibilidades são essenciais para o desenvolvimento de qualquer sector da atividade económica. Como vê as acessibilidades à ilha Terceira? No seu entender o que deve ser melhorado? E qual o entendimento da sua candidatura no que diz respeito à construção de um Terminal de cruzeiros e navegação interilhas na Praia da Vitória?
DP — Para o PAN os transporte e acessibilidades são de enorme importância, em especial os aéreos e marítimos, pois constituem o centro da ligação entre as diversas ilhas e o exterior da nossa Região Autónoma, quebrando o isolamento do arquipélago e garantindo a continuidade do território, com o necessário tráfego de passageiros e mercadorias. O PAN é a favor da melhoria das acessibilidades sempre que estas forem necessárias, através da melhoria e reparação das estruturas existentes e construção de novas, sempre que se justifiquem. Em particular em relação às acessibilidades aéreas interilhas, felizmente não se identificam problemas de maior. Numa situação pós-pandemia não é de descurar a implementação de novas rotas aéreas, de modo a continuarmos a ser destinos turísticos de qualidade e sustentabilidade.
Em relação ao “Terminal de cruzeiros e navegação interilhas” na Praia da Vitória , esta pode ser uma infraestrutura importante para o desenvolvimento económico da Ilha Terceira e da Região, mas como somos um partido responsável, achamos que para já, deixou de ser uma prioridade, tendo em conta o estado calamitoso em que se encontram as finanças públicas regionais. Achamos que, a curto prazo, é um erro gastarmos milhões numa infraestrutura dessa natureza e que por certo iria estar parada, devido à estagnação da atividade económica e turística. A médio prazo, sim, é uma questão a ponderar e pode ser um polo de desenvolvimento económico da Praia, de toda a ilha e dos Açores.

PE — Nas últimas Regionais mais de metade (58,90%) dos eleitores inscritos no círculo eleitoral da Terceira não votaram. O que tem a dizer a estes eleitores, em particular, para os levar a votar, e a todos em geral, para os convencer a votar na lista que encabeça?
DP — É comum dizer que as pessoas não votam porque não se revêm nos partidos políticos vigentes, ou porque os candidatos são medíocres, etc. Muitas vezes pode ser mesmo assim, mas também não é menos verdade que há também muita falta de interesse na política que é motivado, infelizmente, por alguma iliteracia. Infelizmente, neste aspeto os Açores, desde há muito tempo, apresenta os piores indicadores. Não é difícil de entender, portanto, que a abstenção nos Açores é das maiores do país. Consideramos, também, que, muito frequentemente, os partidos do chamado arco da governabilidade fazem-se valer desta iliteracia, da pobreza e da subsidiodependência, do controle da informação e do poder para se perpetuarem na governação, ao fazerem perpetuar no tempo essa mesma dependência.
Mas não é isso que vai desmotivar o PAN. Para além de se preocupar com a iliteracia que existe um pouco por todas as nossa ilhas, o PAN também se preocupa com este flagelo social que são os focos de pobreza. O PAN tem um projeto para a melhoria das condições sócio- económicas para todos os açorianos e preconiza um desenvolvimento harmonioso, saudável e sustentável para todos os açorianos e para o bem de tudo e de todos.
Por exemplo, faz um ano que o PAN/Açores lamentou toda a falta de respeito sobre o processo de descontaminação dos solos e aquíferos na Praia da Vitória, ao mesmo tempo que se verificou um empurrar com a barriga do problema por parte do Estado Português e Estadunidense. O atraso na limpeza, que se arrasta há demasiado tempo, devido aos Estados Unidos não reconhecerem culpa e a Portugal por não dar uma prioridade digna ao problema, preferindo pedir novos estudos sobre os locais contaminados, ao invés de pressionar os militares que usufruíram da nossa base pela figura do Ministro dos Negócios-Estrangeiros, denota que o problema não assume importância porque nenhuma pessoa com responsabilidade decisória vive onde o problema existe. O derrame do pipeline do Cabrito, em 2016, já tem adjudicação da empreitada, mas nas restantes zonas que foram identificadas desde 2005, pouco ou nada foi alcançado. É preciso mais empenho e um murro na mesa de quem governar os Açores após as eleições, para que sejam executadas imediatamente limpezas nas zonas identificadas, porque a saúde pública está em risco a cada dia que passa.
Este é apenas um pequeno exemplo em como o PAN está verdadeiramente empenhado em defender o melhor para todos, sem demagogia e, acima de tudo, com responsabilidade e sem medo dos interesses instalados.
O PAN quer aproximar as pessoas da vida política da Região. Além das medidas já referidas, como prioritárias, o PAN, nestas eleições, apresenta um conjunto de medidas robustas, bem fundamentadas, baseadas em conhecimentos científicos, nas mais variadas áreas do conhecimento, sem nunca colocar de parte as questões do “coração” relacionadas com o carinho, compaixão e sentido de proteção pelas pessoas, pelos animais e pela natureza. No nosso programa político, o PAN apresenta medidas em várias áreas de intervenção, tais como medidas na área da saúde; medidas na área da sustentabilidade, crise climática e reconversão económica; na área da educação; na área do património, cultura e artes; medidas na área de proteção e bem-estar animal e na área da justiça social, igualdade e inclusão.

© PE

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