RENOVAÇÃO POR ONDE ANDAS?

Mário Rui Pacheco

O PS/Açores apresenta-se a este ato Eleitoral Regional de 2020 com a promessa de renovação interna. Renovação esta que o próprio partido anunciou que seria cerca de 70% dos seus candidatos. Ou seja, passou a imagem de que a renovação terá de vir de dentro para fora – tudo muito bonito – mas o Partido Socialista teria a obrigação de ser sério!

A propaganda política em torno da renovação tem de ser bem analisada. E o que esta análise indica é que a renovação não passa pelos candidatos elegíveis dos círculos eleitorais das ilhas de Santa Maria, Graciosa, Pico, Faial, Flores e Corvo.

A renovação nestas ilhas passa apenas pelas que aparecem nos panfletos de campanha lá mais para o fim da lista. É uma renovação “faz de conta”.

O caso do Pico é particularmente interessante. Miguel Costa foi cabeça-de-lista do PS há quatro anos, foi eleito e ocupou o cargo de presidente da Comissão de Economia. A meio do mandato saiu do parlamento para passar a ocupar o cargo de administrador da empresa pública Portos dos Açores. Agora volta a ser cabeça-de-lista pelo Pico. Alguém tem que perguntar ao candidato Miguel Costa se vai abandonar a Portos dos Açores tão pouco tempo depois de lá ter chegado, ou se está apenas a fazer teatro na campanha para depois dar lugar a quem se segue na lista? Afinal não é só o PSD que tem um candidato a deputado com uma cadeira fora do parlamento dos Açores já à sua espera.

Na legislatura anterior, a Graciosa teve em sua representação três deputados do PS, dois por eleição direta e um deputado pelo círculo regional de compensação. Mas neste ato eleitoral de 2020, o cenário será diferente, e há, de facto “renovação”, porque – admitindo que o PS vai formar governo e que Vasco Cordeiro será, de novo, presidente – os graciosenses verão o lugar do círculo regional de compensação ser transferido para a ilha Terceira, nomeadamente para o segundo candidato desta lista que é… Francisco Coelho! Não há nada mais longe da renovação do que eleger Francisco Coelho, que é um dos deputados – se não mesmo o deputado – que está há mais tempo no parlamento dos Açores.

Os círculos eleitorais das ilhas de São Miguel, Terceira e São Jorge são as únicas em que existe alguma renovação nos lugares elegíveis. Mas todo este destaque em torno da renovação de candidatos não mereceria uma maior abrangência? Ou será que não existem alternativas nos restantes círculos eleitorais?

Voltando a olhar para os dados, se o PS vier a ter o mesmo número de deputados, e nos mesmos círculos que tem hoje, a renovação será de cerca de 40%. Fica muito aquém daquilo que a propaganda tenta fazer passar.

Mário Rui Pacheco
Empresário; Economista; Estudante de MCEE em Economia e Politicas Públicas na UAC.

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