UMA TROVOADA ELEITORAL

Sofia Ribeiro

Escrevo este artigo sob uma trovoada monumental, que me tirou da cama na madrugada desta quinta-feira. Foi o barulho que me despertou, um estrondo, imediatamente seguido de mais raios e respetivos trovões, que iluminam e abanam os céus de S. Miguel há já mais de duas horas. O fascínio por este fenómeno fez-me levantar e, simplesmente, ficar colada às janelas, aguardando que mais um relâmpago entrecortado me surpreenda. Paradoxalmente, este sobressalto não deixa de constituir um momento de paz, face a uma atmosfera que se manifesta e recompõe, com enorme beleza. Não estou só, pois que acompanhada pelo meu filho que se encontra numa chamada online com os seus amigos adolescentes, todos nós com o mesmo fascínio por esta manifestação da natureza que nos transcende. Tenho a certeza de que não seremos os únicos que se levantaram perante a revolução dos céus, e muitos mais estarão despertos, mesmo que deitados ou com receio, mas não indiferentes a este fenómeno natural.

Entretanto, o dever chama. Tenho de enviar a minha crónica regular nas próximas horas e daqui a pouco, com ou sem trovoada, o trabalho requer a minha presença na escola. É já tempo de passar à escrita, num momento com um quê de melancólico por ser o último face à suspensão que tem de ser feita para respeitar preceitos de equidade partidária em período de pré-campanha eleitoral, como já o fizeram outros candidatos. Será um “até já” (retomo após as eleições), que antecede o despertar cívico a que somos chamados em cada ato eleitoral.

Tal como acontece com a trovoada, estamos despertos para uma manifestação de mudança, que se fosse para ficar tudo na mesma, não havia necessidade de convocar eleições. Neste período de campanha assistiremos às manifestações dos partidos políticos, num abanar de consciências muito mais expressivo para os que se encontram na oposição e receado pelo partido que suporta o Governo. Como num bailado de raios e trovões, muitos serão despertados neste digladiar de propostas e contra-propostas. Uns levantar-se-ão, com voz ativa, apreciando e debatendo entre os pares os projetos e os cenários que lhes apresentam, tal como o meu filho e os amigos fizeram nesta trovoada; outros, mais recatados, permanecerão quietos, não deixando, contudo, de estar despertos, seguindo com atenção o ato de transformação a cada trovão que ecoa. Espero que poucos permaneçam a dormir, nada incomodados perante a agitação que sacode os destinos da nossa Região, e que cumpram com o seu dever cívico.

Tal como na natureza, na maior parte das vezes a tempestade gera a bonança. Por vezes, apenas ficamos com a perceção de que a depuração dos céus foi a necessária para que a pressão não se agravasse. Mas ao contrário do fenómeno natural, não há nada em cada ato eleitoral que deva transcender o cidadão, pois que é, ele próprio, agente de mudança. Tal como na natureza, estamos perante uma necessária depuração das políticas, pois que o ambiente, de tão estagnado, se encontra carregado.

No próximo dia 25 de outubro, seja um agente transformador. Vote na mudança, que isto precisa de abanar para poder, depois, acalmar. Lá fora, a trovoada ainda prossegue. Até já!

Sofia Ribeiro
www.facebook.com/maisacores
sribeiro.maisacores@gmail.com

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