
As Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas são assinaladas este ano numa cerimónia simbólica no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
As Comemorações, que estiveram previstas para a Região Autónoma da Madeira e África do Sul, foram alteradas para assim respeitar as regras de precaução sanitária no quadro da Pandemia da doença COVID-19.
As Cerimónias têm início no exterior do Mosteiro dos Jerónimos onde, pelas 11:00 e sob a Presidência do Chefe de Estado, decorre a Cerimónia do Içar da Bandeira Nacional, com a execução do Hino Nacional, 21 salvas por unidade naval da Armada Portuguesa fundeada no rio Tejo e sobrevoo de homenagem por uma esquadrilha de aeronaves F-16 da Força Aérea.
Depois, na Igreja de Santa Maria de Belém, o Presidente da República deposita uma Coroa de Flores no Túmulo de Luís Vaz de Camões, e guarda um minuto de silêncio em homenagem aos Mortos ao serviço da Pátria.
Nos claustros do Mosteiro, irá usar da palavra o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, Presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a que se segue a intervenção do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa que encerra as Cerimónias.
HISTÓRIA DO DIA DE PORTUGAL
Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de junho era celebrado como o “Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses”.
Como Camões foi uma figura emblemática, associada aos Descobrimentos, foi usado como forma de o regime celebrar os territórios coloniais e o sentimento de pertença a uma grande nação espalhada pelo mundo, com uma raça e língua comum.
O 10 de junho é estipulado como feriado, na sequência dos trabalhos legislativos após a implantação da República a 5 de outubro de 1910. No decorrer desses trabalhos legislativos, foi publicado um decreto a 12 de outubro, que definia os feriados nacionais.
Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência da Igreja Católica e com o objetivo de consolidar a laicização da sociedade.
O decreto que definia os feriados nacionais dava ainda a possibilidade dos municípios e concelhos escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta.
O 10 de junho começou por ser apenas um feriado municipal para passar a ser particularmente exaltado com o Estado Novo. Foi a partir desse período que o dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional.
Até ao 25 de abril de 1974, o 10 de junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944. A partir de 1978 este dia passou a designar-se como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Fonte: VxMag | SPR/PE
