CAMPANHA “SOS CAGARROS” 2019 COM NÚMERO RECORDE DE SALVAMENTOS

Dos cagarros recolhidos 152 encontravam-se feridos

Segundo dados revelados por Filipe Porteiro, diretor regional dos Assuntos do Mar, foram salvos este ano 8.717 cagarros juvenis. Este número recorde de quedas, avança o responsável, está relacionado com a “lua nova” no período de saída, as “condições climatéricas adversas” e a intensidade da “iluminação artificial”.

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou que, segundo o balanço mais recente da campanha SOS Cagarro, foram salvos este ano 8.717 cagarros juvenis no arquipélago, adiantando que se trata de um “número recorde” no que diz respeito ao registo de quedas destas aves nos Açores.

Filipe Porteiro salientou que “o elevado número de quedas de juvenis” registado este ano poderá estar relacionado com diversos fatores, como, por exemplo, “o período de saída dos ninhos ter coincidido com a lua nova, o que agrava o efeito da poluição luminosa, somando-se ainda o efeito negativo das condições climatéricas adversas”.

O Diretor Regional apontou também como um “possível fator” para o número de quedas registado este ano “a mudança da qualidade e da intensidade das lâmpadas de iluminação pública em determinados locais”.

“A questão da iluminação artificial é um assunto que tem vindo a ser discutido com diversas entidades, tornando-se, gradualmente, um dos assuntos mais importantes da campanha SOS Cagarro”, afirmou Filipe Porteiro.

“O objetivo não é apenas salvarmos as aves que caem nas nossas zonas urbanas, mas também, e principalmente, reduzir o número de quedas, aumentando, assim, a probabilidade de elas sobreviverem”, acrescentou.

No âmbito do projeto europeu LuMinAves, financiado pelo programa Interreg MAC, técnicos da Direção Regional dos Assuntos do Mar, da SPEA e do Okeanos/Universidade dos Açores, com o apoio do Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia, elaboraram um guia de boas práticas para a mitigação da poluição luminosa nos Açores, para apoiar os esforços da EDA e de outros parceiros em ações desse âmbito.

Com base nesse estudo, Filipe Porteiro considerou que “é possível reduzir ou eliminar os impactos da luz artificial noturna nestes e noutros organismos, através, por exemplo, da utilização de LEDs PC Ambar, de cor amarela com temperatura igual ou inferior a 3.000 kelvins”.

“As luzes branca e azul têm impacto negativo nos organismos, incluindo nos seres humanos, e o seu uso na iluminação pública noturna deverá ser regulamentado”, afirmou, defendendo “o uso de temporizadores ou de sensores de movimento que permitam não só uma poupança energética, mas também uma redução da quantidade de luz noturna nas cidades”.

Durante a campanha deste ano foi realizado o festival Lusco-Fusco Fest, no Corvo, organizado pela SPEA, pela Câmara Municipal e pelo Parque Natural de Ilha, que consistiu num apagão total da iluminação da única vila desta ilha para reduzir as quedas e sensibilizar a população para esta problemática.

“Os efeitos foram visíveis e nesses períodos os cagarros não necessitaram de ser salvos para iniciarem a sua primeira migração”, frisou Filipe Porteiro.

Entre os cagarros salvos durante a campanha deste ano, 152 encontravam-se feridos, tendo ainda sido recolhidos 333 cagarros mortos, que foram conservados com o objetivo de serem utlizados em estudos científicos.

O Diretor Regional referiu ainda que foram realizadas 561 brigadas de salvamento de cagarros, envolvendo 148 parceiros e mais de 3.000 pessoas, entre voluntários e público-alvo de várias ações de sensibilização.

“O número de brigadas científicas tem aumentado exponencialmente, o que nos permite também conhecer melhor o fenómeno das quedas destas aves e encontrar medidas para a mitigação deste problema ambiental”, referiu.

O SOS Cagarro é uma iniciativa coordenada pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, em estreita relação com os Parques Naturais de Ilha e em parceria com a PSP e a GNR, os bombeiros voluntários da Região, veterinários dos Serviços de Desenvolvimento Agrário e veterinários voluntários, e ainda com organizações não governamentais, como a SPEA, o Observatório do Mar dos Açores, a Gê-Questa, o Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, os Montanheiros, os Amigos dos Açores, os Amigos do Calhau, entre outras.

O Diretor Regional destacou também o apoio de vários órgãos de comunicação social e de diversas entidades, como a ATA, a Atlânticoline, a Ilha Verde e a Azores Airlines.

GaCS/GM/PE

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