
Foi uma medida criada e continuada pelos sucessivos Governos, com a proclamada intenção, de conceder aos mais carenciados, uma vida com alguma dignidade, tanto no aspeto da sua sobrevivência económica, como também na educação dos filhos.
Contrariar a intencionalidade positiva dessa medida, seria rejeitar o sentido humanista de uma sociedade empenhada na solução para as inerentes desigualdades sociais!
Por outro lado, não admitir que a falta de fiscalidade, interesses alheios, tanto dos beneficiários, como dos Partidos Políticos, não foi uma realidade ao longo dos anos, é querer tapar o sol com a peneira…
Enquanto o subsídio foi e, continuará talvez sendo dado como ajuda às famílias na sustentabilidade, educação escolar dos filhos e, encaminhamento para o mundo do trabalho, assistimos a pais que deixaram de trabalhar, filhos que seguiram o seu exemplo e consecutivamente a netos, que querem ser como os avós…
Testemunhem os professores que deram aulas às primeiras duas gerações e se encaminham para a terceira. Testemunhe também o auxiliar de educação, a falta que faz a refeição diária a algumas crianças, quando vão de férias…
Tudo isso não é, nem nunca foi novidade para os Partidos Políticos ao longo de todos estes anos! Como também nunca foi para as instituições que servem de apoio a esta medida…
Enquanto a Segurança Social se reservou aos seus gabinetes, por comodismo ou receio de retaliação, falhando na fiscalidade necessária da utilização do dinheiro público. Os Partidos fizeram as contas e, calcularam que dando apoio a essa classe mais fragilizada, habitualmente nos Bairros Sociais, seria chapa gasta, chapa ganha! Melhor dito: Quem ganhar nos Bairros Sociais, acaba vencendo as eleições, sejam elas da Freguesia ou do próprio Concelho…
Custará talvez a muitos, eu fazer estas afirmações, mas meus amigos, para quem anda por cá há muitos anos e foi seguindo com alguma atenção todo este processo eleitoral, chamado de liberdade de escolha, sabe perfeitamente daquilo que eu estou falando…
O tão falado caso de “Rabo de Peixe”, sem dúvida um mau exemplo para aquela Vila e, inclusive para a própria Região Açores, não pode ser entendido como o único sítio onde o RSI, se acabou transformando numa faca de dois gumes…
As autoridades conhecem, as estatísticas informam, que a droga é uma praga, e que está espalhada por todos os mundos recônditos desta nossa Região.
Não será acabar com o RSI que ela se resolve: Será sim, com o empenho de toda a comunidade, seja ela civil, militar ou política, numa transformação atempada desta nova geração, concedendo-lhe melhores expetativas de futuro, na dignidade e na autossuficiência.
Fernando Mendonça
