O Chega/Açores entregou esta terça-feira um requerimento urgente na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para exigir esclarecimentos ao Governo Regional sobre os constrangimentos registados na Linha de Saúde Açores no passado domingo, 10 de maio, denunciando alegados tempos de espera superiores a 30 minutos sem atendimento. A informação consta de uma nota de imprensa enviada pelo partido.
Segundo o Chega, terão sido reportadas várias situações de utentes que “desesperam ao telefone sem resposta”, acusando o executivo açoriano de falhar “quando os Açorianos mais precisavam de um serviço essencial”. O partido considera que os problemas verificados terão contribuído para aumentar a pressão sobre as urgências hospitalares e critica o que classifica como “propaganda tecnológica e modernização anunciada pelo Governo Regional”.
Na nota enviada às redações, o líder parlamentar do partido, José Pacheco, afirma que “não é aceitável que um Açoriano doente espere meia hora ao telefone sem qualquer resposta enquanto o Governo continua fechado nos gabinetes a fingir que está tudo bem”.
O Chega refere ainda que pretende saber quantas chamadas ficaram sem resposta, qual o maior tempo de espera registado, se existiram falhas técnicas, quantos profissionais estavam escalados no serviço e quais as medidas que serão adotadas para evitar novas ocorrências.
Em resposta às críticas, a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social confirmou, também em nota à imprensa, que no dia 10 de maio ocorreu “uma falha técnica infraestrutural” no edifício onde funciona a Linha de Saúde Açores, situação que afetou temporariamente os sistemas de comunicações.
A tutela da Saúde sublinha, contudo, que o problema “não resultou de qualquer falha operacional imputável” à Secretaria Regional ou ao Serviço Regional de Saúde, acrescentando que o edifício onde opera a linha está sob responsabilidade de uma entidade privada, no âmbito de um contrato de prestação de serviços.
De acordo com a mesma nota, após a deteção do problema foram desencadeados contactos com a entidade responsável e com parceiros técnicos da área das comunicações, tendo sido igualmente articulado com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores um reforço preventivo da capacidade da linha 112.
A Secretaria Regional da Saúde rejeita, porém, a narrativa de colapso avançada pelo Chega, garantindo que “não houve qualquer colapso da Linha de Saúde Açores”, nem “interrupção total do serviço”. A tutela assegura ainda que “o acesso aos cuidados de saúde não esteve comprometido em momento algum” e recorda que a Linha de Saúde Açores se destina a aconselhamento e orientação clínica não urgente, devendo as situações de emergência ser encaminhadas diretamente para o 112.
Segundo o Governo Regional, durante o período de condicionamento do serviço “não foi registada qualquer chamada para o 112 relacionada com situações associadas à Linha de Saúde Açores” e a situação ficou “integralmente resolvida pelas 16h00” do mesmo dia.
Enquanto o Chega acusa o executivo de ter perdido “o controlo do sistema regional de saúde”, apontando problemas estruturais como listas de espera, falta de profissionais e pressão hospitalar, a Secretaria Regional da Saúde afirma estar empenhada numa “comunicação responsável, articulada e rigorosa”, assegurando que a prioridade foi sempre garantir informação “clara, credível e geradora de tranquilidade e confiança” junto da população.
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