FRANCISCO CÉSAR ALERTA PARA “COLAPSO NA QUALIFICAÇÃO” NOS AÇORES

O presidente do PS/Açores, Francisco César, criticou a política de educação e qualificação do Governo Regional, denunciando aquilo que considera ser um “colapso na qualificação” na Região e defendendo a criação de um Projeto de Interesse Comum centrado na valorização das pessoas.

O presidente do PS/Açores, Francisco César, denunciou um “colapso na qualificação” na Região e criticou a política de educação e formação do Governo Regional, defendendo a necessidade de uma resposta concertada para inverter os atuais indicadores. As declarações foram divulgadas numa nota de imprensa emitida na segunda-feira, 20 de abril de 2026, pelo PS/Açores.

Segundo o comunicado, o líder socialista falava à margem de uma reunião com a Comissão Especializada de Educação e Formação do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), onde apresentou propostas destinadas a reverter o atual cenário e a melhorar as recomendações apresentadas por aquela entidade.

Francisco César alertou que os indicadores regionais na área da educação e da qualificação “estão a piorar”, salientando que a Região regista “o número de jovens que não estudam nem trabalham dos mais altos da Europa”, situação que, segundo afirmou, continua a agravar-se. O abandono escolar precoce é também apontado como motivo de preocupação, com um aumento registado entre 2024 e 2025.

“O nossos índices de formação profissional, de educação e de qualificação estão a piorar, não estão a melhorar conforme deveria acontecer”, afirmou o presidente do PS/Açores, citado no comunicado, defendendo que “não podemos querer ter uma sociedade desenvolvida, mais igual, com melhor rendimento, sem conseguir resolver este problema. A educação e a qualificação são a base de qualquer sociedade”.

O dirigente socialista apontou ainda falhas na execução das políticas públicas nesta área, considerando que os planos anunciados pelo Governo Regional “acabam por não ter nenhuma implementação no terreno”. Como exemplo, referiu a Agenda Regional para a Qualificação, apresentada em 2022, que, segundo disse, “nem sequer saiu do papel”, sem qualquer resolução do Conselho do Governo ou despacho regional que a operacionalize.

Francisco César acrescentou que, desde então, “não houve nenhum plano semestral”, criticando também o facto de outras iniciativas anunciadas — como o Plano de Ação para a Orientação Escolar e Profissional, o Programa de Descoberta das Profissões e o Plano de Ação para a Iniciação do Instituto de Emprego e Formação Profissional — também não terem sido concretizadas.

O líder do PS/Açores defendeu, por isso, a necessidade de identificar os jovens em risco de abandono escolar ou que não estudam nem trabalham, sublinhando que é possível encontrar soluções que lhes permitam construir um percurso formativo ou profissional motivador.

Para ilustrar a evolução da situação, Francisco César comparou os dados atuais com os de 2011, referindo que nessa altura “cerca de 4.500 jovens por ano saíam para o mercado de emprego com uma formação profissional”, enquanto este ano “apenas saíram 450 das nossas escolas profissionais com formação profissional”.

Como resposta, o PS/Açores propõe a criação de um “Projeto de Interesse Comum”, que prevê uma parceria entre várias entidades, incluindo a República, o Governo Regional, as câmaras municipais, as juntas de freguesia, instituições particulares de solidariedade social e clubes desportivos.

Segundo Francisco César, o objetivo é “garantir que ninguém abandona a escola ou a sua formação por razões sociais”, assegurando condições para que os jovens permaneçam no sistema educativo e acompanhando-os individualmente ao longo de uma geração.

A meta, explicou, é que “num espaço de uma geração possamos dar um salto profissional de qualificação e de educação que permita estar ao nível da Europa”. “Não é difícil, é preciso ter vontade para cumprir e para fazer. Nós temos essa vontade e é isso que estamos a apresentar”, concluiu o presidente do PS/Açores.

© PS/A | Foto: PS/A | PE