
O Governo Regional dos Açores tem vindo a reforçar a formação de guias de parques naturais e de montanha, com novas ações de formação e alterações nos programas dos cursos, visando qualificar profissionais e responder à crescente procura no turismo de natureza.
A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, em parceria com a Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, tem promovido diversas ações de formação dos cursos de Guias de Parques Naturais dos Açores e de Guias da Montanha do Pico, com o objetivo de suprir carências identificadas nos últimos anos e reforçar mecanismos de visitação orientada na Região.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada ontem, 8 de abril de 2026, pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, em 2025 foram organizadas duas ações de formação do curso de Guias de Parques Naturais dos Açores — uma na ilha do Pico e outra em São Miguel — bem como uma ação de formação do curso de Guias da Montanha do Pico.
Segundo o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, no início de 2026 terminou também mais uma ação de formação em São Miguel, estando já prevista a realização de novas iniciativas. “No início de 2026 terminou mais uma ação de formação em São Miguel, estando já em fase de calendarização uma ação de formação de Guia de Parques Naturais dos Açores no Faial, bem como uma ação de formação do curso de Guias da Caldeira do Faial, previstas para o último trimestre de 2026”, afirmou.
O governante recordou que, após avaliação das edições anteriores, foi necessária uma reformulação do curso de Guias de Parques Naturais dos Açores, processo que resultou na publicação da Portaria n.º 86/2024, de 8 de outubro, que estabelece as condições de acesso, planos curriculares e regime de avaliação dos cursos de Guia de Parques Naturais dos Açores, Guia da Montanha do Pico e Guia da Caldeira do Faial.
Segundo Alonso Miguel, a revisão implicou uma análise detalhada dos conteúdos programáticos e a adaptação de vários módulos, incluindo a transição de algumas componentes anteriormente presenciais para formato online.
O curso de Guias de Parques Naturais dos Açores tem uma carga horária de 117 horas e inclui nove módulos comuns a todas as ilhas, bem como um módulo específico para cada Parque Natural de Ilha. A formação abrange áreas como biodiversidade e geodiversidade, património cultural e histórico, usos e costumes, atendimento ao público, gestão de riscos e socorrismo.
Desde 2015, o departamento regional com competência em matéria de ambiente promoveu 24 ações de formação deste curso em todas as ilhas do arquipélago, além de quatro ações do curso de Guias da Montanha do Pico e duas do curso de Guias da Caldeira do Faial, homologados pela Direção Regional do Emprego e Qualificação Profissional.
Atualmente, os Açores contam com 445 guias certificados como Guias de Parques Naturais, distribuídos pelas nove ilhas: quatro no Corvo, 13 nas Flores, 24 em São Jorge, 18 na Graciosa, 51 na Terceira, 170 em São Miguel — aos quais se juntam 20 formandos que concluíram recentemente o curso —, 13 em Santa Maria, 40 no Faial e 92 no Pico.
No caso específico da Montanha do Pico, foram certificados 119 guias desde 2004, embora nem todos exerçam atualmente atividade de forma regular. Já na Reserva Natural da Caldeira do Faial existem 43 guias certificados aptos a operar nesta área protegida.
Segundo o secretário regional, a formação de guias, sobretudo no Pico, surge como uma necessidade estratégica para qualificar mais profissionais no turismo de natureza, uma vez que muitos guias formados anteriormente deixaram de exercer a atividade, criando dificuldades às empresas para responder à procura, especialmente durante a época alta.
A tutela anunciou ainda que estão a ser desenvolvidos cartões digitais para todos os guias certificados, medida que visa modernizar e digitalizar a administração pública, reduzindo o uso de materiais físicos.
Citado na mesma nota de imprensa, Alonso Miguel sublinhou que o Governo Regional tem procurado criar mecanismos para proteger o património natural único da Região e promover um turismo de natureza sustentável.
“Estes cursos têm um papel fundamental na valorização dos serviços prestados pelos profissionais que conduzem grupos de visitantes às zonas protegidas, melhorando os seus conhecimentos, e contribuindo para uma visitação interpretada e segura, bem como para o desenvolvimento de um turismo de natureza sustentável”, concluiu.
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