ENQUANTO INTERNADO NO QUARTO QUINZE, DA UTC-2

Enquanto, no ano passado estive durante dez dias internado no célebre quarto quarenta e cinco da UT2, tratando de uma das pernas, atingida por uma celulite/erisipela, desta vez e, pelo mesmo motivo, embora com menos gravidade, colocaram-me na Unidade de Tratamento Cirúrgico (UTC2). Penso que pelo fato, de não haver espaço disponível no bloco anterior.

Fui retórico em afirmar e publicitar publicamente nas redes sociais, inclusive no Diário Insular, toda a minha satisfação pelo modo como fui recebido, acarinhado e bem tratado, pelos vários profissionais da UT2, desde as auxiliares de limpeza, aos técnicos/as auxiliares de saúde, às equipas de enfermagem e aos próprios médicos de serviço.

Quando nos colocam onde nunca se esteve, cria-se a dúvida sobre as condicionantes desse local. Porque não vou de novo para a UT2, onde me sentiria mais à vontade e, teria oportunidade de rever algumas amizades que acabei criando naquela unidade de tratamento? Será que vou encontrar neste novo espaço, o mesmo acolhimento e espírito humanista daquela gente, que tão bem de mim cuidou?
Foram estas algumas das perguntas que pairaram na minha mente, quando o médico assistente das urgências me disse: “O Sr. Tem de ficar internado. Vamos tratar de arranjar espaço para o colocar.”

Algum tempo depois, era transportado de cadeirão para o meu novo destino, onde iria permanecer até ter alta para regressar a casa. A moça que me levava, ia-me consolando, afirmando que a UTC2 era composta por uma equipa excecional, onde inclusive trabalhava a sua mãe, logo, não iria sentir nenhuma diferença do meu internamento anterior.

A primeira abordagem à chegada é sempre expetante. Como vai ser o que me espera? No entanto, pouco tempo demorou a perceber, que estava de novo entregue em boas mãos, ao profissionalismo, à competência, ao bem servir!
Assim acabei ficando ali internado durante cinco dias, ao cuidado das equipas de enfermagem, prestando-me um atendimento deveras profissional, numa profissão que exige muita resiliência, humanismo e, diria mesmo que paciência, para ultrapassar as mais diversas dificuldades que esta carreira profissional requer! Optei desta vez por não citar nomes, considerando que na globalidade, foram todos/as, dignos do meu maior apreço. Fazê-lo, seria ser injusto, para alguns nomes que não fixei!
Uma palavra também de apreço aos médicos que me assistiram, Dr. Lénio e Dra. Adriana Santos, esta com um sorriso nos lábios, ao vir-me anunciar no Domingo, dia de Festa da Família, que tinha na sua mão a “Alta Médica” para poder regressar a casa e gozar a festa junto dos meus mais queridos! Algumas lágrimas me bailaram nos olhos, com aquele gesto para comigo!

São dias longos, privados da família, de sofrimento pela doença que ali nos levou, ou da do companheiro de quarto, ambas as vezes pior do que eu.
Mesmo assim, saímos de coração cheio, daquela gente boa, quantas vezes maltratada, desrespeitada e reconhecidamente mal interpretada sobre a dignidade da missão que decidiram abraçar.

Disse-o em Outubro do ano passado e repito de novo: Sra. Secretária da Saúde, Dra. Mónica Seidi, sou testemunha do ótimo serviço prestado por toda a equipa do HSEAH, prese-os e dignifique-os porque merecem todo o apreço e carinho que lhes possamos dar.

Fernando Mendonça