O Grupo Parlamentar do Chega/Açores acusou o Governo Regional de falta de transparência na divulgação da rentabilidade das rotas da Azores Airlines, alegando que o Executivo recusou fornecer dados considerados essenciais para avaliar o desempenho da companhia aérea.
O Grupo Parlamentar do Chega/Açores considera “inaceitável e politicamente reveladora” a resposta do Governo Regional a um requerimento apresentado sobre a rentabilidade das rotas da Azores Airlines para o exterior do arquipélago. A posição foi divulgada numa nota de imprensa enviada na segunda-feira, 6 de abril de 2026, ao Praia Expresso.
Segundo o partido, o Executivo regional limitou-se a entregar a lista das rotas atualmente operadas, recusando, contudo, divulgar dados como a rentabilidade individual de cada ligação, os custos associados, a taxa média de ocupação por rota ou a identificação de eventuais rotas com prejuízo.
Na resposta enviada ao Parlamento, o Governo justificou a não divulgação desses elementos com o argumento de se tratar de “informação comercialmente sensível” e protegida por “segredo comercial”. Para o Chega, esta posição significa que o Executivo “não quis dizer ao Parlamento nem ao povo açoriano onde é que a SATA ganha, onde é que perde e onde é que se continua a insistir em erros pagos por todos”.
Apesar disso, o partido sublinha que os números agregados apresentados pelo Governo levantam dúvidas adicionais. De acordo com a nota de imprensa, as rotas para Portugal registaram taxas médias de ocupação superiores às ligações para a Europa e África nos últimos três anos, sendo que em 2025 a diferença foi mais expressiva: 83,20% nas ligações para Portugal contra 72,40% nas rotas europeias e africanas.
O Chega critica ainda a ausência de documentação que sustente a abertura de novas rotas. Segundo o partido, o Governo referiu critérios como procura, sustentabilidade económico-financeira, relevância estratégica, conectividade e viabilidade operacional, mas não apresentou “um único estudo, um único indicador objetivo, uma única avaliação concreta” que permita compreender como são tomadas essas decisões.
A nota refere também que o Executivo regional reconheceu que, para além da nova rota Terceira–Funchal, não está previsto o lançamento de novas ligações no curto e médio prazo, acrescentando que, nos últimos dois anos, a companhia cessou operações para três destinos no continente europeu.
Citado na nota de imprensa, o líder parlamentar do Chega/Açores, José Pacheco, afirma que “o Governo não respondeu ao que era essencial. Não negou prejuízos, não mostrou estudos, não explicou decisões e não quis abrir os números”. Para o deputado, “quando se trata da SATA, há sempre uma desculpa para esconder a verdade”.
O Chega garante que continuará a exigir “transparência total” sobre a operação da Azores Airlines, defendendo que se trata de uma empresa estratégica cujo desempenho tem impacto direto na mobilidade, na economia e na imagem externa da Região.
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