PS/AÇORES ACUSA GOVERNO DE FALTA DE TRANSPARÊNCIA NA REESTRUTURAÇÃO DA SATA

O Presidente do PS/Açores, Francisco César, manifestou “reforçada preocupação” com o processo de reestruturação da SATA, considerando que, desde 2022, o mesmo tem sido “tudo menos transparente”.

As declarações foram feitas após uma reunião com o SITAVA – Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, em Ponta Delgada, tendo sido divulgadas ontem, terça-feira, 3 de março, através de nota de imprensa do PS/Açores.

Segundo Francisco César, confirmam-se as dúvidas que os socialistas vinham levantando quanto ao cumprimento do plano de reestruturação imposto no âmbito das exigências da Comissão Europeia. “Aquilo que era proposto fazer e que a Comissão Europeia obrigava a ser feito, não foi absolutamente nada feito”, afirmou.

O líder socialista elencou vários compromissos que, no seu entendimento, não foram cumpridos: “O objetivo era diminuir prejuízos, os prejuízos aumentaram. Havia um objetivo de não aumentar o número de trabalhadores, o número de trabalhadores aumentou. Havia um objetivo de não aumentar a massa salarial, a massa salarial foi aumentada. Havia a proibição de aumentar o número de aviões, e o número de aviões foi aumentado.”

“Foi-nos sempre dito que estava tudo bem, que estava tudo muito melhor e que tudo isto era um sucesso desta governação e das várias administrações. Aquilo que verificamos é que isso não é verdade”, sublinhou.

Francisco César acusou ainda o Governo Regional de ter faltado à verdade relativamente a um alegado acordo com a Comissão Europeia para o alargamento do processo de privatização por mais um ano. “O Governo faltou à verdade. Faltou à verdade à Comunicação Social quando disse que estava tudo combinado com a Comissão Europeia. Depois já não estava, eram apenas técnicos. Depois afinal seria a própria Comissão Europeia. E o que percebemos é que nada disso estava acordado”, declarou.

De acordo com o Presidente do PS/Açores, Bruxelas não teria autorizado previamente a prorrogação do prazo e aplicou uma penalização de cerca de três milhões de euros à empresa pelo incumprimento das obrigações, limitando-se a prolongar o processo por mais um ano.

O dirigente questionou igualmente o ponto de situação das “40 medidas de reestruturação” anunciadas para o atual Conselho de Administração. “Digam uma que esteja a ser realizada”, desafiou, acrescentando que os dados conhecidos indicam que “não só não está a correr melhor, como, em muitos casos, está a correr pior”.

Francisco César alertou também para um clima de instabilidade interna na empresa. “Estão a dividir os trabalhadores. Os serviços partilhados passam para a holding, o handling está a ser dividido, há trabalhadores que não sabem onde ficam. Reina o caos total”, denunciou.

Quanto à opção do Governo por uma venda direta da Azores Airlines, o líder socialista questionou a coerência do executivo: “Se a venda direta era a melhor solução, por que razão não começaram por aí?”

O Presidente do PS/Açores advertiu ainda que a venda direta enfrentará o mesmo obstáculo que inviabilizou o processo anterior — o perdão da dívida. “Sempre nos foi dito que o perdão da dívida era uma ajuda de Estado, e foi esse um dos motivos para rejeitar o consórcio. Se era ajuda de Estado antes, continua a ser agora. O problema mantém-se. E que resposta tem o Governo para isso?”, questionou.

Para Francisco César, é agora indispensável garantir “transparência no processo, diálogo com os trabalhadores, esclarecimento à sociedade civil e também aos partidos políticos que querem ajudar”.

“O que os açorianos exigem é verdade, responsabilidade e soluções concretas para salvar a empresa. O que não podem continuar a ter é propaganda e contradições”, concluiu.

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