O Governo dos Açores emitiu hoje um esclarecimento público para repor o rigor interpretativo dos dados sobre a mortalidade e hospitalizações por álcool na Região. Em causa está uma notícia publicada pelo jornal Açoriano Oriental, cuja manchete afirmava que os Açores lideram estes indicadores, leitura que o Executivo contesta com base no relatório anual do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).
Numa nota enviada às redações esta quinta-feira, 18 de fevereiro, o Governo Regional sublinha que os dados do “Relatório Anual 2024 – A Situação do País em Matéria de Álcool” devem ser analisados de forma “integral e contextualizada”. O Executivo aponta uma contradição direta entre o título da notícia em questão e os factos apresentados, notando que a Região Autónoma dos Açores se encontra, na verdade, atrás da Madeira na taxa de mortalidade por doenças atribuíveis ao álcool por 100 mil habitantes.
De acordo com a mesma fonte, houve uma evolução favorável neste indicador específico. Os dados oficiais indicam que a taxa de mortalidade associada ao álcool nos Açores registou uma descida significativa, passando de 37,3 em 2022 para 29,1 em 2023, uma melhoria que o Governo considera não ter sido devidamente salvaguardada na interpretação pública.
INTERNAMENTOS EM QUEDA DESDE 2019
No que diz respeito aos internamentos hospitalares, o Executivo reconhece que os Açores apresentam a taxa mais elevada do contexto nacional, mas introduz uma nuance estatística fundamental: este valor representa a taxa mais baixa registada na Região desde 2019. Segundo a nota governamental, este dado reflete uma “tendência de redução que importa reconhecer”.
O comunicado termina com um apelo ao rigor, advertindo que a divulgação de dados sem a necessária “proporcionalidade” corre o risco de criar perceções públicas que não traduzem a realidade. O Governo Regional reafirma ainda o compromisso com a prevenção de comportamentos aditivos e a melhoria contínua dos indicadores de saúde dos açorianos.
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