
Portugal voltou a descer no Índice de Perceção da Corrupção divulgado pela Transparency International. Ficámos com 56 pontos em 100 e na metade inferior da União Europeia.
Não é conversa de café. Não é “sensação”. É um indicador internacional que mede como o mundo vê a integridade das nossas instituições.
E quando o mundo nos vê a descer, isso tem consequências.
Durante anos habituámo-nos a ouvir que “não somos dos piores”. Mas essa é uma ambição pequena para um país que quer ser respeitado. O problema não é apenas a existência de casos de corrupção. O problema é a cultura de impunidade, a lentidão da justiça, a falta de consequências políticas imediatas e a normalização de práticas pouco transparentes.
Agora pergunto: os Açores estão fora desta realidade? Claro que não.
Somos uma Região onde o peso do setor público é enorme na economia. Dependemos fortemente de fundos europeus, de apoios regionais, de contratos públicos, de decisões administrativas que impactam diretamente empresas e famílias. Num contexto destes, a exigência de transparência devia ser ainda maior do que a média nacional.
E, no entanto, quantas vezes vemos concursos pouco claros? Quantas vezes assistimos a nomeações para cargos estratégicos sem critério técnico evidente? Quantas vezes se levantam dúvidas sobre empresas públicas regionais sem que haja esclarecimentos rápidos e objetivos?
Não se trata de acusar indiscriminadamente. Trata-se de reconhecer que a opacidade corrói a confiança.
O CHEGA Açores tem sido firme nesta matéria. Temos defendido transparência total nos contratos públicos, auditorias independentes às empresas públicas, maior fiscalização parlamentar e responsabilização política efetiva quando surgem falhas graves.
Num território pequeno como o nosso, a confiança é um ativo essencial. Aqui todos se conhecem. A proximidade pode ser uma força, mas também pode ser um risco se não houver regras claras e fiscalização séria.
Quando Portugal desce nos rankings internacionais, isso afeta a imagem do país e, inevitavelmente, da Região. Investidores olham para estes indicadores. Parceiros europeus também. A credibilidade constrói-se com rigor institucional, não com discursos.
Cada euro mal aplicado pesa mais numa economia insular. Cada decisão mal explicada gera mais ruído. Cada suspeita não esclarecida amplia-se rapidamente.
Por isso, os Açores não podem limitar-se a dizer que “aqui não é assim”. Têm de provar que fazem melhor.
Mais transparência. Mais prestação de contas. Mais exigência ética. Menos compadrio. Menos opacidade.
A luta contra a corrupção não é uma bandeira partidária. É uma condição para o desenvolvimento sustentável da Região. Sem confiança não há investimento. Sem confiança não há crescimento. Sem confiança não há futuro.
Portugal recebeu um aviso. Os Açores não podem ignorá-lo.
A questão é simples: queremos continuar a descer com o país, ou queremos afirmar-nos como exemplo de rigor dentro dele? A escolha é nossa.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
