MAU TEMPO PROVOCA ARROJAMENTO DE MAIS DE 80 AVES MARINHAS NOS AÇORES

As tempestades que têm assolado o arquipélago resultaram no arrojamento de mais de 80 tordas-anãs em várias ilhas, na maioria dos casos fatais. A Secretaria Regional do Mar e das Pescas, através da Direção Regional de Políticas Marítimas, monitoriza a situação e apela à colaboração do público.

A Secretaria Regional do Mar e das Pescas confirmou, numa nota de imprensa divulgada esta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, que as condições meteorológicas adversas estão na origem de uma série de arrojamentos de aves marinhas em várias ilhas dos Açores. Até à data, foram registados “mais de 80 arrojamentos” de tordas-anãs (Alle alle), uma espécie que inverna em águas açorianas mas que raramente é observada em terra.

Segundo a informação oficial, os episódios estão a ser acompanhados de perto pela Direção Regional de Políticas Marítimas (DRPM), a autoridade ambiental para o meio marinho na Região. O fenómeno, associado a períodos de mau tempo e documentado noutras regiões do Atlântico Norte, tem sido reportado através de uma rede que inclui vigilantes da natureza, observadores de aves, organizações não governamentais e delegados de ilha.

A distribuição dos casos é desigual entre as ilhas: foram contabilizados 55 exemplares no Faial, 16 no Pico, nove na Graciosa, sete nas Flores e dois na Terceira. “A maioria das aves encontrava-se já morta ou em estado moribundo”, lê-se na nota, acrescentando que as aves vivas apresentavam “sinais de exaustão extrema e desorientação, sem capacidade para regressar ao mar”.

Das ocorrências registadas, apenas cinco aves foram avaliadas e receberam cuidados veterinários, através de intervenção do CERAS (Centro de Recuperação de Aves Selvagens) do Pico e de técnicos na ilha das Flores. Foi possível recuperar e libertar um único exemplar nas Flores.

Face à situação, a DRPM apela à colaboração da população. As recomendações são claras: não tocar nem recolher as aves, evitar qualquer manipulação que cause stress adicional se estiverem vivas, e comunicar prontamente a ocorrência através da linha SOS Ambiente (+351 800 292 800).

A monitorização sistemática destes episódios pelas autoridades é considerada “fundamental para a avaliação do impacto de eventos meteorológicos extremos na biodiversidade marinha”, contribuindo para “a melhor gestão e conservação dos ecossistemas dos Açores”.

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